Um relatório preliminar sobre a colisão de dois helicópteros no Rio de Janeiro, ocorrida há cerca de um mês no Recreio dos Bandeirantes, começou a desvendar as causas do acidente. Segundo o documento, as duas aeronaves voavam pela mesma rota, no mesmo corredor aéreo, no momento em que se chocaram. A investigação, no entanto, segue em caráter preliminar e, por enquanto, nenhuma hipótese foi descartada pelas autoridades.
De acordo com o relatório, um dos helicópteros havia partido do aeroporto de Jacarepaguá com destino à cidade de Angra dos Reis, enquanto o outro saíra do aeroporto Santos Dumont e estava a caminho do heliponto de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. O cruzamento das duas trajetórias no mesmo corredor aéreo é um dos pontos centrais da apuração sobre como as aeronaves acabaram tão próximas uma da outra.
O documento constatou ainda que uma das aeronaves não apareceu nos radares durante todo o voo. Esse dado reforça as dúvidas sobre o monitoramento do tráfego aéreo na região e sobre a forma como os deslocamentos de helicópteros são acompanhados em uma área de intensa circulação, entre aeroportos, helipontos e destinos turísticos no entorno do Rio de Janeiro.
O relatório também chamou a atenção para a comunicação entre os pilotos. No local do choque, eles deveriam manter contato por rádio, mas essas comunicações não são gravadas nem monitoradas pelos órgãos de controle. Diante disso, o texto avalia que seria prudente estudar a possibilidade de haver um controle de tráfego aéreo para trechos como esse, o que ajudaria tanto na prevenção quanto na reconstituição de eventuais acidentes.
O acidente que motivou a investigação deixou seis mortos quando as duas aeronaves caíram sobre um pátio de veículos no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Entre as vítimas estava o cantor e produtor norte-americano Oliver Tree, que tinha milhões de seguidores nas redes sociais e, segundo as primeiras informações, fazia uma turnê pela América do Sul gravando conteúdos com diferentes criadores.
Cinco das vítimas viajavam em uma das aeronaves: o piloto Alexandre Souza e os passageiros Lucas Brito Chávez, Oliver Tree, o diretor de cinema e de videoclipes argentino Lucas Viñale e o criador de conteúdo Gaspar Prim, conhecido como Gaspy. A sexta vítima era o piloto Charles Marsillac, que voava sozinho no segundo helicóptero. Não houve sobreviventes em nenhuma das duas máquinas.
De acordo com testemunhas oculares, os dois helicópteros passaram perto demais um do outro antes de se chocarem em pleno voo, por volta das nove horas da manhã. As aeronaves despencaram logo após a colisão, e uma delas explodiu quase imediatamente ao atingir o solo. Os destroços caíram sobre um terreno na Avenida das Américas, alugado pela montadora chinesa BYD e usado para guardar veículos elétricos, o que provocou uma sequência de explosões secundárias e uma densa coluna de fumaça.
O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro foi acionado e trabalhou para impedir que o fogo se espalhasse pela frota estacionada e por estruturas próximas, com dezenas de militares na operação de combate às chamas e de resgate. Em um primeiro momento, o delegado responsável pelo caso havia afirmado que tudo indicava falha humana, levantando hipóteses como falha de visibilidade ou de planejamento de voo. Agora, com o relatório preliminar, a apuração ganha novos elementos técnicos, ainda que as conclusões definitivas dependam dos laudos finais.
