A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Placebo para desarticular um esquema que envolve fraude em licitações e a compra, com recursos públicos, de medicamentos oncológicos suspeitos de falsificação. A investigação trata de um caso considerado grave por atingir pacientes que dependem do sistema de saúde.
A ação foi de grande porte. Segundo a apuração, foram cumpridos cerca de 57 mandados de busca e apreensão, além de uma prisão, com desdobramentos no Rio Grande do Sul e em outros quatro estados. O alcance mostra a dimensão que o esquema teria atingido.
Ao todo, 15 pessoas e 14 empresas são investigadas. O empresário Lisandro Henriques Hermes foi preso na ação e é apontado pela polícia como o principal articulador da organização responsável pelo esquema.
Entre os pontos investigados estão fraudes em orçamentos, a utilização de empresas de fachada para participar das licitações e entregas apenas parciais dos medicamentos que haviam sido contratados. Esses elementos indicam uma estrutura montada para desviar recursos e simular regularidade.
O aspecto mais delicado é a suspeita de que medicamentos oncológicos fornecidos fossem falsificados. Como esses remédios eram destinados a pacientes em tratamento, a possibilidade de adulteração transforma o caso em uma questão que vai além do prejuízo financeiro.
Nesse contexto, a polícia identificou possíveis 39 vítimas ligadas ao esquema. Sete delas morreram durante os tratamentos, e a investigação busca esclarecer em que medida os medicamentos sob suspeita podem ter relação com esses desfechos, preservando a apuração técnica.
Agora, os investigadores analisam o material apreendido para dimensionar toda a fraude e tentar responsabilizar novos envolvidos. Os citados respondem ao processo e são preservados pela presunção de inocência até que a Justiça conclua a análise das provas.
