Uma operacao policial em Sao Paulo revelou que uma quadrilha de traficantes selecionava novos integrantes por meio de um processo que imitava o de uma empresa, com direito a uma verdadeira entrevista de emprego. A acao envolveu 60 policiais e resultou na prisao de seis suspeitos, apontados como responsaveis por recrutar e organizar criminosos para o esquema.
A investigacao comecou com a analise de um celular apreendido durante uma abordagem de rotina. As trocas de mensagens encontradas no aparelho revelaram como a organizacao criminosa recrutava e admitia novos membros, numa estrutura que a policia comparou a de uma empresa que contrata um trabalhador comum, uma especie de setor de recursos humanos do trafico.
Segundo os investigadores, os recrutadores definiam quem podia integrar o esquema por meio de um processo seletivo. So era aceito quem fosse indicado por alguem de dentro, e a experiencia anterior no mundo do crime aumentava as chances de aprovacao do candidato ao posto na quadrilha.
Em um dos audios encontrados pela policia, um homem orienta o candidato que havia indicado sobre o que responder aos criminosos durante a entrevista. As mensagens indicavam que os aprovados teriam a garantia de suporte e assistencia do nucleo criminoso caso fossem presos em flagrante ou no decorrer de uma investigacao.
Na operacao, os agentes apreenderam um caderno com o controle financeiro do grupo, alem de celulares, uma balanca de precisao e duas motocicletas. Os seis suspeitos foram presos nesta que a policia descreveu como a primeira fase da investigacao sobre o funcionamento da organizacao.
A policia divulgou o que chamou de organograma da empresa do trafico. Guilherme Fernando Miranda seria o gerente do setor de recrutamento, enquanto Guilherme Riquelme Machado Nascimento faria o cadastro e o recrutamento dos interessados em ingressar na organizacao criminosa.
Ainda segundo a policia, Caio Henrique da Silva e Wallace Santos Rezende da Silva atuavam nas entregas de drogas, o chamado delivery do trafico; Matheus Rian Gomes Ferreira seria um dos olheiros; e Paulo Souza Gomes, que teria passado pelo processo seletivo, atuava como traficante local. Os investigadores afirmaram esperar identificar mais integrantes desse nucleo nas proximas etapas.
