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Nazaré, a fábrica de ondas gigantes: a temporada que voltou a desafiar os limites do surf

Tomás Oliveira Tomás Oliveira tomasoliveira.avalw.com · 1.6k reads Respect0 Save Share Read only
READS18live count PUBLISHED21 Sept2026 READING TIME4 min741 words LANGUAGEPortuguese
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A Praia do Norte, na Nazaré, voltou a produzir ondas monstruosas em 2025-26, com o TUDOR Challenge disputado em paredes de 40 a 50 pés, uma possível descida de 75 pés por Lucas Chianca e a validação dos recordes a passar para o Guinness World Records.

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Há um lugar na costa de Portugal onde o oceano parece perder a paciência e se ergue em muralhas de água capazes de tirar o fôlego a qualquer pessoa. Esse lugar é a Praia do Norte, na Nazaré, hoje reconhecida em todo o mundo como o palco das maiores ondas alguma vez surfadas. E a temporada mais recente voltou a confirmar por que razão este ponto do litoral se tornou uma verdadeira lenda do surf.

O canhão que cria monstros

A força bruta do Atlântico ao chocar contra a costa. É esta energia que o canhão submarino da Nazaré transforma em ondas colossais.
A força bruta do Atlântico ao chocar contra a costa. É esta energia que o canhão submarino da Nazaré transforma em ondas colossais.

O segredo das ondas gigantes da Nazaré esconde-se debaixo de água. Ao largo da Praia do Norte existe um enorme canhão submarino, uma fenda profunda no fundo do mar que canaliza e amplifica a energia das ondulações do Atlântico. Quando as condições são as ideais, esse fenómeno natural transforma a ondulação em paredes de água de uma dimensão quase irreal.

É graças a esta particularidade geológica que a Nazaré consegue produzir, de forma tão consistente, ondas de proporções colossais. Enquanto noutros pontos do planeta as grandes ondas são raras e imprevisíveis, aqui elas surgem com uma regularidade que atrai os melhores surfistas do mundo, dispostos a arriscar tudo em busca da onda perfeita.

O desafio de 2025-26

A temporada de 2025-26 ficou marcada por uma das provas mais impressionantes dos últimos anos. Segundo o que foi noticiado, o TUDOR Nazaré Big Wave Challenge decorreu perante um mar monstruoso, com ondas cujas faces variaram entre os 12 e os 15 metros, o equivalente a paredes de água de 40 a 50 pés de altura.

O espetáculo atraiu uma verdadeira multidão. De acordo com os relatos, mais de dez mil espectadores acompanharam a prova a partir de terra, testemunhando de perto a coragem dos participantes. No final, os vencedores foram Justine Dupont, Lucas Chianca, Nic von Rupp e Clement Roseyro, nomes que já fazem parte da história recente deste desporto extremo.

Uma onda de 75 pés?

Mas houve um momento que ultrapassou até os limites da própria competição. Conforme foi divulgado, o surfista Lucas Chianca, conhecido pela alcunha de Chumbo, foi rebocado para uma parede de água colossal no dia 13 de dezembro de 2025, numa onda que alguns estimam ter atingido cerca de 75 pés de altura.

Uma onda desta dimensão, a confirmar-se, poderia representar um novo marco na modalidade. Descidas como esta, feitas com o auxílio de uma mota de água que reboca o surfista até à onda, estão entre as mais perigosas e espetaculares do surf, e alimentam a eterna corrida por bater os recordes já existentes.

O recorde absoluto

Ainda assim, o recorde oficial da maior onda alguma vez surfada continua a pertencer à Nazaré, mas a outro protagonista. Segundo a informação disponível, essa marca situa-se numa onda medida em 26,2 metros, ou seja, cerca de 86 pés, conquistada no ano de 2020 pelo surfista alemão Sebastian Steudtner.

Este registo dá bem a medida daquilo que a Praia do Norte é capaz de gerar. Falar de uma onda com a altura de um prédio de vários andares deixou de ser um exagero para se tornar uma realidade documentada. E é precisamente essa possibilidade de bater tais números que continua a atrair surfistas de todo o mundo à vila piscatória portuguesa.

Uma nova autoridade

A temporada trouxe também uma mudança importante nos bastidores. De acordo com o que foi noticiado, a partir da época de 2025-26 a Liga Mundial de Surf deixou de ser a entidade responsável por validar as maiores ondas surfadas. Essa função passou para as mãos do Guinness World Records, a conhecida autoridade mundial dos recordes.

Esta alteração não é um mero detalhe burocrático. A validação de uma onda gigante envolve medições complexas e muita controvérsia, já que avaliar a altura exata de uma parede de água em movimento é uma tarefa extremamente difícil. A entrada de uma nova entidade poderá trazer critérios diferentes para a forma como estes feitos passam a ser oficialmente reconhecidos.

A próxima temporada

Os olhos do mundo do surf já estão postos no que aí vem. Segundo a informação divulgada, a próxima grande temporada de ondas gigantes deverá começar por volta de setembro ou outubro de 2026 e prolongar-se até março ou abril de 2027, o período em que as condições do Atlântico costumam ser mais favoráveis.

Enquanto o inverno se aproxima, a Nazaré prepara-se novamente para receber os mais destemidos surfistas do planeta. Entre a força bruta do oceano e a ousadia humana, a Praia do Norte volta a afirmar-se como um dos maiores palcos do desporto mundial, um lugar onde, a cada temporada, os limites do possível parecem ser feitos para serem ultrapassados.

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Tomás Oliveira 2026-09-21 · 4 min read · 18 reads
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