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Do Brasil para o mundo: como a música brasileira virou o oitavo maior mercado do planeta em 2026

Rafael Duarte Rafael Duarte rafaelduarte.avalw.com · 770 reads Respect0 Save Share Read only
READS35live count PUBLISHED21 Sept2026 READING TIME4 min777 words LANGUAGEPortuguese
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Impulsionada pelo streaming, pelo domínio do sertanejo em casa e pela explosão global do funk, a música brasileira alcançou em 2026 a oitava posição entre os maiores mercados do mundo.

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Por muito tempo, a força da música brasileira foi medida principalmente pelo tamanho das plateias em casa. Em 2026, porém, os números contam uma história bem mais ambiciosa. O país não apenas consome música em ritmo acelerado, como também vê alguns de seus gêneros conquistarem ouvintes em outros continentes, num movimento que redesenha o lugar do Brasil no mapa musical global.

O oitavo maior mercado do mundo

O dado mais impressionante é a posição alcançada pelo país. Segundo relatórios do setor, a receita da música gravada no Brasil cresceu cerca de quatorze por cento em 2025, o que colocou o país como o oitavo maior mercado musical do planeta. Esse ritmo de expansão foi mais que o dobro da média global, que avançou pouco mais de seis por cento no mesmo período.

Boa parte desse crescimento se explica pela consolidação do streaming como principal fonte de receita. As plataformas digitais já respondem por cerca de oitenta e seis por cento do faturamento da música no país. O fenômeno acompanha uma tendência de toda a América Latina, região que cresceu ainda mais e acumula anos seguidos de expansão contínua no setor.

Para se ter noção da escala, o público brasileiro reproduziu algo em torno de cento e noventa e cinco bilhões de faixas ao longo do período analisado. Esse apetite enorme por música, somado à popularização do acesso pelo celular, ajudou a transformar o país em um dos ambientes mais dinâmicos do mundo quando o assunto é consumo digital de áudio em larga escala.

O reinado do sertanejo

Quando se olha para o que os brasileiros de fato escutam, um gênero se destaca acima dos demais. Em uma das paradas diárias do Spotify no Brasil, em julho de 2026, o sertanejo ocupava dez das quinze primeiras posições, enquanto o funk ficava com as outras cinco. É um domínio quase absoluto das preferências nacionais no dia a dia.

Esse predomínio local tem um traço marcante. Cerca de noventa e seis por cento das cinquenta faixas mais tocadas no país são de artistas brasileiros, com pouquíssimas exceções estrangeiras. No total, estima-se que três quartos de todas as reproduções em território nacional fiquem com nomes da própria casa, o que revela um público fortemente conectado à produção local.

O sertanejo, no entanto, vive um paradoxo interessante. Apesar de reinar nas plataformas dentro do Brasil, o gênero ainda depende quase inteiramente do mercado interno, com uma fatia mínima de receita vinda do exterior. É um estilo profundamente enraizado na cultura nacional, mas que ainda não encontrou o mesmo caminho de exportação trilhado por outro ritmo brasileiro.

O funk conquista o mundo

Do palco ao streaming, artistas brasileiros levam ritmos nacionais a plateias cada vez maiores dentro e fora do país (imagem ilustrativa).
Do palco ao streaming, artistas brasileiros levam ritmos nacionais a plateias cada vez maiores dentro e fora do país (imagem ilustrativa).

Esse outro ritmo é o funk, que se tornou o grande símbolo da internacionalização da música brasileira. De acordo com o relatório Loud and Clear de 2026, do Spotify, o funk brasileiro foi o gênero que mais cresceu entre os que ultrapassaram a marca de cem milhões de dólares em pagamentos aos artistas, ficando inclusive à frente do K-pop nesse quesito específico.

O mais notável é a origem desses ouvintes. Aproximadamente metade das reproduções de um artista médio de funk brasileiro já vem de fora do país. Há consumo consistente do gênero em mercados como Portugal, Espanha, França, Itália, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Argentina, o que mostra uma penetração global cada vez mais sólida e diversificada.

Essa diferença de comportamento entre os dois gêneros ajuda a explicar por que o mercado brasileiro é hoje visto como tendo dois motores distintos. Um deles, movido pelo sertanejo, é potente e estável dentro de casa. O outro, puxado pelo funk, funciona como uma ponte para o exterior, ampliando o alcance da produção nacional para muito além das fronteiras do país.

Os números do streaming

A dimensão financeira desse movimento também chama atenção. Estima-se que os artistas brasileiros tenham gerado cerca de dois bilhões de reais apenas em uma das principais plataformas de streaming em 2025, um avanço de aproximadamente vinte e quatro por cento. Esse crescimento foi quase o dobro do registrado pelo mercado como um todo, sinalizando um momento particularmente favorável.

Por que isso importa

Mais do que estatísticas, esses números revelam uma mudança de patamar. Ter um gênero como o funk circulando por diversos países abre portas para novas parcerias, turnês e oportunidades de renda que antes pareciam distantes para a maioria dos artistas. Ao mesmo tempo, a força do mercado interno garante uma base sólida sobre a qual essa expansão pode se apoiar.

Em resumo, 2026 confirma que a música brasileira vive um momento duplo e complementar. Dentro de casa, o sertanejo domina as preferências e sustenta um mercado robusto, enquanto o funk abre caminho mundo afora e leva o som do país a novas plateias. Juntos, esses dois movimentos ajudam a explicar como o Brasil chegou tão alto no ranking global.

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Rafael Duarte 2026-09-21 · 4 min read · 35 reads
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