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Tony Iommi, 78 anos e o metal que não morre

Bruno Carvalho Bruno Carvalho brunocarvalhomusic.avalw.com · 951 reads Respect0 Save Share Read only
READS6live count PUBLISHED13 Oct2026 READING TIME6 min1,275 words LANGUAGEPortuguese
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O guitarrista do Black Sabbath lança seu primeiro disco solo em 21 anos e reflete sobre a perda de Ozzy Osbourne e sua própria mortalidade.

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A última conversa telefônica com Ozzy Osbourne aconteceu numa segunda-feira, 21 de julho do ano passado. O vocalista, exausto, disse a Tony Iommi que estava 'absolutamente destroçado' após semanas difíceis. Iommi, com sua voz suave de Birmingham, sugeriu que ele descansasse. 'Tente fazer isso', respondeu Ozzy. Foi o fim da ligação. No dia seguinte, a notícia da morte de Osbourne, aos 76 anos, chegou como um soco no estômago. Iommi descreve o momento como 'estranho', uma palavra que carrega o peso de quem sabe que a finitude chegou mais perto do que ele gostaria.

Mas o luto não paralisou o homem que inventou o heavy metal. Aos 78 anos, Iommi está no auge de uma nova fase, lançando 'From the Dark', seu primeiro álbum solo em 21 anos. O disco é uma declaração de guerra à idade, cheio de riffs que trituram e provam que o legado do Black Sabbath não é apenas nostalgia, mas uma força viva que ainda ecoa com potência devastadora.

A conexão entre eles vai além da música, é uma história de vida compartilhada em Birmingham. Iommi lembra de como a amizade sobreviveu às turbulências da fama e das drogas, mantendo-se firme mesmo quando o mundo ao redor desmoronava. Essa base sólida permitiu que ele processasse a dor de uma perda tão íntima sem perder o norte, transformando o vazio deixado por Ozzy em combustível para a criação musical que segue seu caminho.

O peso da memória e a urgência do tempo

Em entrevista recente, Iommi não fugiu da questão da mortalidade. Perguntado se a morte de Osbourne, seu amigo de infância, o fez pensar no próprio fim, ele riu e admitiu: 'Sim, muito. Tenho tido alguns amigos que partiram, e você pensa: 'Cara, espera, eu tenho 78 anos, quanto tempo mais?'' Ele cita Brian May, seu colega de reflexões sombrias, como alguém mais pessimista que ele, mas a inquietação está lá. É um olhar honesto para um homem que viu o mundo mudar ao redor dele, enquanto ele permanecia como uma rocha inabalável no cenário musical.

A morte de Ozzy ocorreu semanas após o show de despedida triunfal do Black Sabbath em Villa Park, Birmingham. Dezenas de milhares de fãs lotaram as ruas para o cortejo fúnebre, liderado por uma banda de metais tocando clássicos da banda. A imagem é poderosa: o rock'n'roll não apenas enterrando seu rei, mas celebrando sua vida com a mesma intensidade com que ele a viveu. Iommi, testemunha direta dessa era, carrega essa memória como uma cicatriz que nunca cicatriza por completo, mas que define sua identidade.

Esse momento de despedida coletiva em Birmingham serviu como um ritual de passagem para toda uma geração que cresceu ouvindo os riffs da banda. Iommi observa esse fenômeno com um misto de orgulho e melancolia, reconhecendo que a energia do público era a mesma que o impulsionava nos palcos. A presença massiva dos fãs confirmou que a música transcendeu o tempo, tornando-se parte do tecido social da cidade, um legado que Iommi sabe que continuará a ressoar mesmo após a partida física dos integrantes.

A multidão em Birmingham homenageia o legado do Black Sabbath.
A multidão em Birmingham homenageia o legado do Black Sabbath.

From the Dark: o som de uma lenda viva

'From the Dark' não é um álbum de despedida, é um grito de afirmação. Com nomes como 'Black Times' e 'Beyond the Dead', o disco mergulha na imagem oculta e satânica que assustava o mundo nos anos 60, mas o faz com a técnica afiada de um músico que nunca parou de evoluir. Iommi reuniu uma banda de elite para o projeto, incluindo o vocalista norueguês Jorn Lande e Karl Brazil, baterista de Robbie Williams. A promessa é clara: 'Não estamos tentando provar nada. É um ótimo álbum, ele rocka', afirma o guitarrista.

A produção é densa, com o crunch característico da guitarra de Iommi, aquele som que mudou a história da música para sempre. Não há concessões ao mercado ou às modas passageiras. O álbum é uma viagem ao coração do metal, onde a distorção não é apenas um efeito, mas uma linguagem. Iommi prova que, aos 78, ele ainda tem algo a dizer, e diz com a mesma ferocidade de quando era um jovem de Birmingham tentando se fazer ouvir em um mundo que não estava pronto para o que ele tinha a oferecer.

A escolha dos colaboradores foi estratégica para garantir que a essência da banda fosse preservada sem cair em clichês. Jorn Lande trouxe uma voz que complementa a agressividade dos riffs, enquanto Karl Brazil adicionou uma precisão rítmica que eleva a complexidade das composições. Essa alquimia entre veteranos e talentos consolidados demonstra que o metal segue evoluindo, absorvendo novas influências sem perder a raiz que o tornou um gênero revolucionário e inconfundível na história da música.

O equipamento que define o som inconfundível de Iommi.
O equipamento que define o som inconfundível de Iommi.

A vida além dos palcos

Longe do palco e das câmeras, Iommi vive uma vida que contrasta com a imagem de vilão do rock. Em seu estúdio em casa, nos Cotswolds, a decoração é escura, repleta de guitarras, um refúgio do caos do mundo exterior. Ele está mais próximo de um fazendeiro tranquilo do que de um sacerdote do mal. Em dois dias após a entrevista, ele receberá o MBE da Princesa Anne no Castelo de Windsor, um reconhecimento oficial de sua contribuição para a cultura britânica.

Essa dualidade é fascinante: o mesmo homem que criou sons que aterrorizavam multidões agora vive em uma vila de chocolate, mas mantém seu interior 'crepuscular'. Iommi não se adaptou às convenções da velhice; ele manteve seu espaço, sua estética e sua música. É um lembrete de que os artistas não são apenas produtos de seu auge, mas pessoas que continuam a existir, a criar e a refletir sobre seu lugar no mundo, mesmo quando os holofotes se apagam.

O ambiente nos Cotswolds oferece uma paz necessária para a criação musical, longe das pressões do circuito de shows. Iommi encontra inspiração na simplicidade da vida rural, onde o tempo flui de maneira diferente. Essa tranquilidade externa contrasta com a intensidade interna das composições, criando um equilíbrio que permite ao músico renovar suas energias. A decoração escura do estúdio serve como um lembrete constante de suas origens, mantendo a conexão com o passado mesmo enquanto ele avança para o futuro.

O palco aguarda a próxima geração de músicos.
O palco aguarda a próxima geração de músicos.

O legado que permanece

O lançamento de 'From the Dark' chega em um momento onde o metal é muitas vezes tratado como um gênero do passado, um museu de barulho. Iommi, com sua nova música, desafia essa noção. Ele não está apenas relembrando o passado, ele está criando algo novo com as ferramentas do velho. A presença de colaboradores internacionais como Jorn Lande mostra que o metal ainda é uma linguagem global, capaz de unir músicos de diferentes países e tradições em torno de um objetivo comum: a potência do som.

Enquanto o mundo discute a morte de ícones e a passagem do tempo, Iommi oferece algo mais concreto: música. Um disco que pode ser ouvido, sentido e vivido. É um ato de resistência contra o esquecimento, um lembrete de que o heavy metal não morreu com Ozzy, nem com os anos. Ele vive em cada riff, em cada nota distorcida, em cada fã que ainda se emociona com o som de uma guitarra elétrica empurrando os limites do que é possível. Iommi, aos 78, continua a escrever essa história, uma nota de cada vez.

O reconhecimento com o MBE simboliza a aceitação plena da contribuição de Iommi para a identidade cultural da Grã-Bretanha. Mais do que uma honra, é a validação de que o heavy metal deixou de ser um subgênero marginal para se tornar um pilar da música moderna. Iommi encara esse título não como um ponto final, mas como um marco de sua jornada contínua. Ele segue tocando, criando e influenciando, provando que a arte verdadeira não tem data de validade e que o espírito do rock permanece intacto em suas mãos experientes.

Perguntas frequentes

Quem são os colaboradores musicais no álbum solo 'From the Dark' de Tony Iommi?

O projeto conta com a participação do vocalista norueguês Jorn Lande e do baterista Karl Brazil, que é conhecido por tocar com Robbie Williams. Essa formação foi escolhida para preservar a essência da banda enquanto adicionava precisão rítmica e uma voz que complementa a agressividade dos riffs.

O que Tony Iommi disse sobre a morte de Ozzy Osbourne e seu próprio envelhecimento?

Iommi admitiu que a partida de seu amigo de infância o fez refletir intensamente sobre a própria finitude aos 78 anos. Ele descreveu o momento como 'estranho' e confessou que a perda de outros amigos o levou a questionar quanto tempo ainda lhe resta de vida.

Como foi a despedida de Ozzy Osbourne em Birmingham?

O cortejo fúnebre ocorreu semanas após o show de despedida do Black Sabbath no Villa Park e foi liderado por uma banda de metais tocando clássicos da banda. Dezenas de milhares de fãs lotaram as ruas para celebrar a vida do vocalista com a mesma intensidade com que ele a viveu.

Onde Tony Iommi vive e onde fica seu estúdio de gravação?

O músico reside nos Cotswolds, onde mantém um estúdio em casa com decoração escura e repleta de guitarras. Esse ambiente rural oferece uma paz necessária para a criação musical, contrastando com a imagem de vilão do rock que ele projetava nos palcos.

Qual reconhecimento oficial Tony Iommi recebeu recentemente?

Ele foi agraciado com o MBE, uma honra concedida pela Princesa Anne no Castelo de Windsor. Esse reconhecimento oficial destaca sua contribuição significativa para a cultura britânica e a história da música.

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Bruno Carvalho 2026-10-13 · 6 min read · 6 reads
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