Criado em 1971, o Parque Nacional da Peneda-Gerês é o único do país e um dos seus tesouros naturais mais bem guardados. Entre montanhas de granito, florestas antigas, cascatas e cavalos selvagens, guarda também os vestígios de uma estrada romana e uma vida selvagem que resiste no extremo noroeste de
No extremo noroeste de Portugal, encostado à fronteira com a Espanha, existe um território onde a natureza ainda manda mais do que o homem. Falamos da Peneda-Gerês, uma paisagem de montanhas de granito, vales profundos e florestas antigas que continua a surpreender quem se aventura pelos seus trilhos.
Um santuário único no país
A Peneda-Gerês tem um estatuto que nenhum outro lugar em Portugal pode reclamar. Criado em maio de 1971, é o mais antigo espaço protegido do país e o seu único parque nacional, uma distinção que sublinha a importância excecional dos valores naturais que aqui se procuram preservar para as gerações futuras.
São cerca de setenta mil hectares de serra que se estendem pelo canto mais a noroeste do território continental. Este vasto mosaico de granito, água e floresta forma um refúgio raro na Europa ocidental, onde espécies e paisagens que desapareceram noutras regiões conseguiram sobreviver quase intactas até aos dias de hoje.
Os garranos, cavalos selvagens da serra
Poucas imagens resumem tão bem o espírito do parque como a de um grupo de garranos a percorrer livremente as encostas. Esta raça autóctone de cavalos de pequeno porte tem origens ancestrais e habita a região desde tempos muito antigos, sendo hoje um verdadeiro símbolo vivo da serra.
Para além do seu valor simbólico, estes animais desempenham um papel ecológico importante, ajudando a controlar a vegetação e a manter o equilíbrio dos pastos de montanha. Depois de terem estado à beira do desaparecimento a meio do século passado, as manadas foram sendo recuperadas e voltaram a marcar presença na paisagem.
Águas que caem entre a floresta

A abundância de água é outra das grandes marcas da Peneda-Gerês. Rios e ribeiros descem das montanhas e formam pelo caminho inúmeras cascatas e lagoas de água transparente, que se tornaram alguns dos recantos mais procurados por quem visita o parque durante os meses mais quentes do ano.
Estas quedas de água escondem-se muitas vezes no meio de densas manchas de floresta, entre carvalhos, azevinhos e outras espécies típicas da região. Chegar até elas obriga quase sempre a uma caminhada, mas a recompensa é um cenário de grande beleza, onde o som da água acompanha cada passo do visitante.
A antiga estrada dos romanos
A história humana também deixou aqui marcas profundas, e a mais impressionante é sem dúvida a Geira. Trata-se de uma antiga via romana que atravessava estas montanhas para ligar duas importantes cidades da época, a atual Braga e a cidade de Astorga, já em território espanhol.
Ao longo do traçado ainda é possível encontrar troços bem conservados e diversos marcos de pedra que assinalavam as distâncias, verdadeiras relíquias com quase dois mil anos. Este percurso carregado de história é hoje muito apreciado por caminhantes e ciclistas, que pedalam sobre os mesmos caminhos onde outrora passaram as legiões.
Um refúgio para a vida selvagem
A riqueza natural do parque vai muito para além dos garranos e das cascatas. Estas montanhas são um dos últimos redutos de espécies emblemáticas e ameaçadas, como o lobo-ibérico, que encontra aqui um dos poucos territórios onde ainda consegue viver longe da presença constante do ser humano.
Nos céus da serra é possível avistar a águia-real e muitas outras aves de rapina, enquanto nos rios sobrevivem lontras e outras espécies sensíveis à qualidade da água. Com mais de uma centena de espécies de aves registadas, a região é um verdadeiro paraíso para quem gosta de observar a vida selvagem em liberdade.
Um destino a preservar
A poucas horas de cidades como o Porto ou Braga, a Peneda-Gerês tornou-se um destino cada vez mais popular entre portugueses e estrangeiros à procura de natureza autêntica. Esse crescimento traz benefícios para as aldeias da serra, mas também exige cuidado para que a afluência não coloque em risco o que torna o lugar especial.
O grande desafio para os próximos anos será conciliar a visita com a conservação, garantindo que as gerações futuras possam continuar a encontrar aqui o mesmo silêncio, as mesmas águas e os mesmos cavalos livres. Proteger este parque é, no fundo, proteger uma parte essencial da identidade natural de todo o país.

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