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Peneda-Gerês, o único parque nacional de Portugal e o último reduto selvagem do noroeste

Diogo Lopes Diogo Lopes diogolopes.avalw.com · 178 reads Respect0 Save Share Read only
READS2live count PUBLISHED19 Sept2026 READING TIME3 min654 words LANGUAGEPortuguese
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Criado em 1971, o Parque Nacional da Peneda-Gerês é o único do país e um dos seus tesouros naturais mais bem guardados. Entre montanhas de granito, florestas antigas, cascatas e cavalos selvagens, guarda também os vestígios de uma estrada romana e uma vida selvagem que resiste no extremo noroeste de

No extremo noroeste de Portugal, encostado à fronteira com a Espanha, existe um território onde a natureza ainda manda mais do que o homem. Falamos da Peneda-Gerês, uma paisagem de montanhas de granito, vales profundos e florestas antigas que continua a surpreender quem se aventura pelos seus trilhos.

Um santuário único no país

A Peneda-Gerês tem um estatuto que nenhum outro lugar em Portugal pode reclamar. Criado em maio de 1971, é o mais antigo espaço protegido do país e o seu único parque nacional, uma distinção que sublinha a importância excecional dos valores naturais que aqui se procuram preservar para as gerações futuras.

São cerca de setenta mil hectares de serra que se estendem pelo canto mais a noroeste do território continental. Este vasto mosaico de granito, água e floresta forma um refúgio raro na Europa ocidental, onde espécies e paisagens que desapareceram noutras regiões conseguiram sobreviver quase intactas até aos dias de hoje.

Os garranos, cavalos selvagens da serra

Poucas imagens resumem tão bem o espírito do parque como a de um grupo de garranos a percorrer livremente as encostas. Esta raça autóctone de cavalos de pequeno porte tem origens ancestrais e habita a região desde tempos muito antigos, sendo hoje um verdadeiro símbolo vivo da serra.

Para além do seu valor simbólico, estes animais desempenham um papel ecológico importante, ajudando a controlar a vegetação e a manter o equilíbrio dos pastos de montanha. Depois de terem estado à beira do desaparecimento a meio do século passado, as manadas foram sendo recuperadas e voltaram a marcar presença na paisagem.

Águas que caem entre a floresta

As inúmeras cascatas escondidas entre a floresta são uma das imagens de marca do parque e um dos maiores atrativos para quem o visita.
As inúmeras cascatas escondidas entre a floresta são uma das imagens de marca do parque e um dos maiores atrativos para quem o visita.

A abundância de água é outra das grandes marcas da Peneda-Gerês. Rios e ribeiros descem das montanhas e formam pelo caminho inúmeras cascatas e lagoas de água transparente, que se tornaram alguns dos recantos mais procurados por quem visita o parque durante os meses mais quentes do ano.

Estas quedas de água escondem-se muitas vezes no meio de densas manchas de floresta, entre carvalhos, azevinhos e outras espécies típicas da região. Chegar até elas obriga quase sempre a uma caminhada, mas a recompensa é um cenário de grande beleza, onde o som da água acompanha cada passo do visitante.

A antiga estrada dos romanos

A história humana também deixou aqui marcas profundas, e a mais impressionante é sem dúvida a Geira. Trata-se de uma antiga via romana que atravessava estas montanhas para ligar duas importantes cidades da época, a atual Braga e a cidade de Astorga, já em território espanhol.

Ao longo do traçado ainda é possível encontrar troços bem conservados e diversos marcos de pedra que assinalavam as distâncias, verdadeiras relíquias com quase dois mil anos. Este percurso carregado de história é hoje muito apreciado por caminhantes e ciclistas, que pedalam sobre os mesmos caminhos onde outrora passaram as legiões.

Um refúgio para a vida selvagem

A riqueza natural do parque vai muito para além dos garranos e das cascatas. Estas montanhas são um dos últimos redutos de espécies emblemáticas e ameaçadas, como o lobo-ibérico, que encontra aqui um dos poucos territórios onde ainda consegue viver longe da presença constante do ser humano.

Nos céus da serra é possível avistar a águia-real e muitas outras aves de rapina, enquanto nos rios sobrevivem lontras e outras espécies sensíveis à qualidade da água. Com mais de uma centena de espécies de aves registadas, a região é um verdadeiro paraíso para quem gosta de observar a vida selvagem em liberdade.

Um destino a preservar

A poucas horas de cidades como o Porto ou Braga, a Peneda-Gerês tornou-se um destino cada vez mais popular entre portugueses e estrangeiros à procura de natureza autêntica. Esse crescimento traz benefícios para as aldeias da serra, mas também exige cuidado para que a afluência não coloque em risco o que torna o lugar especial.

O grande desafio para os próximos anos será conciliar a visita com a conservação, garantindo que as gerações futuras possam continuar a encontrar aqui o mesmo silêncio, as mesmas águas e os mesmos cavalos livres. Proteger este parque é, no fundo, proteger uma parte essencial da identidade natural de todo o país.

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Diogo Lopes 2026-09-19 · 3 min read · 2 reads
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