Das fachadas das igrejas às estações de comboio, os azulejos contam a história e enfeitam o país inteiro. Descobrimos de onde vem esta arte, porque conquistou o famoso azul e branco e porque merece ser protegida.
Quem passeia pelas ruas de Portugal depressa repara numa beleza muito especial que parece estar por toda a parte. As paredes das casas, as igrejas e até as estações vestem-se de pequenos quadrados de cerâmica pintada e brilhante. Estes são os famosos azulejos, uma arte que se tornou um dos símbolos mais queridos e reconhecíveis de todo o país.
Uma arte que cobre Portugal
O azulejo é, na sua essência, uma peça de cerâmica plana, coberta por um vidrado colorido e muitas vezes pintada à mão. Aplicado parede fora, repete-se e combina-se para formar padrões, cenas e composições de uma enorme beleza. Em poucos países do mundo inteiro esta arte alcançou a importância e a forte presença que hoje tem em Portugal.
Por onde quer que se ande, do norte ao sul do país, é quase impossível não cruzar o olhar com uma parede de azulejos. Eles enfeitam fachadas de casas bem simples, palácios imponentes, igrejas muito antigas e também espaços bastante modernos. Esta presença constante faz do azulejo uma companhia silenciosa no dia a dia de quem vive ou visita o país.
Raízes mouriscas e uma palavra árabe
A história do azulejo é bem mais antiga do que muita gente imagina e vem, na verdade, de terras distantes. A própria palavra tem origem árabe e significa, em tradução livre, algo parecido com pedra pequena e polida. Isto revela desde logo a forte influência que a cultura muçulmana deixou bem marcada em toda a Península Ibérica.
Nos primeiros tempos, os azulejos eram sobretudo peças de uma só cor, dispostas com muito cuidado para criar desenhos geométricos. A antiga cidade de Sevilha foi, durante bastante tempo, um importante centro de produção desta arte tão especial. Foi a partir dessas raízes tão antigas que o azulejo foi evoluindo lentamente até às belas formas que hoje conhecemos.
O triunfo do azul e branco

Com o passar dos séculos, o azulejo foi ganhando novas cores, novas técnicas e novas maneiras de contar as suas histórias. A certa altura, a combinação do azul vivo sobre o fundo branco tornou-se verdadeiramente famosa e muito apreciada por todos. Influências vindas de fora, de outras cerâmicas célebres, ajudaram a tornar este estilo ainda mais fino e elegante.
Foi também por essa época que os grandes painéis começaram a representar cenas inteiras, cheias de figuras e de pormenores. Nas paredes surgiam santos, batalhas, paisagens e momentos da vida comum, pintados com enorme cuidado e evidente talento. Assim, cada parede passou a ser quase como uma página aberta, pronta a contar uma história a quem a observa com calma.
Beleza e utilidade
Apesar de serem, antes de mais nada, um belo objeto de decoração, os azulejos têm também funções bastante práticas. Ao cobrir as paredes exteriores das casas, ajudam a protegê-las da chuva, do sol forte e da lenta passagem do tempo. Além disso, contribuem para manter o interior das habitações mais fresco durante os meses mais quentes do verão português.
Desta forma, a beleza e a utilidade caminham sempre lado a lado em cada parede coberta por estas peças de cerâmica. Não admira, por isso, que ao longo de muitos séculos os azulejos tenham conquistado um lugar tão especial no país. Eles são, ao mesmo tempo, verdadeira obra de arte, proteção sólida para os edifícios e orgulho de todo um povo.
Dos palácios às estações
A versatilidade do azulejo é tão grande que acabamos por o encontrar nos lugares mais variados e por vezes inesperados. Decora igrejas cheias de história, palácios antigos e nobres, jardins tranquilos e também as casas mais humildes de todas. Em todos estes espaços, o azulejo traz cor, luz e um toque absolutamente inconfundível da identidade portuguesa.
Um dos exemplos mais admirados de todos fica numa famosa e movimentada estação de comboios na cidade do Porto. Ali, muitos milhares de azulejos cobrem as paredes do átrio, recriando com arte diversas cenas da história do país. Para muitos viajantes, este cenário deslumbrante é a primeira e inesquecível imagem que guardam de todo o Portugal.
Um património a preservar
Dado o seu enorme valor artístico, os azulejos são hoje considerados uma parte verdadeiramente fundamental do património português. Infelizmente, durante alguns anos, muitos painéis antigos foram roubados ou mesmo destruídos de forma bastante lamentável. Perder estas peças seria perder também um pedaço precioso da memória e da longa história do país inteiro.
Por esse mesmo motivo, foram criadas leis que procuram agora proteger os edifícios cobertos por estes valiosos azulejos. Cada cidadão pode também fazer a sua pequena parte, aprendendo a valorizar e a respeitar esta herança tão rica. Afinal, cuidar bem dos azulejos é também cuidar da própria alma colorida que reveste as ruas de todo o Portugal.
Perguntas frequentes

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