Chef carioca de 32 anos, Pedro Fartura entra no reality da Globo com 13 anos de estrada, técnica lapidada e a certeza de que a mente vale mais que o garfo.
No Mäska, no Rio, o silêncio não existe. O óleo chiando na frigideira grita mais alto que a panela de pressão, mas para Pedro Fartura, aos 32, o barulho mais insuportável é o do relógio. Ele não vê o novo Chef de Alto Nível apenas como um programa de TV. É a última chance de cravar seu nome no mercado, depois de 13 anos suando a camisa sem parar.
Na segunda, 5 de outubro, a Globo apresentou os três novos nomes no quadro Seleção de Alto Nível, dentro do Mais Você. Enquanto a emissora anuncia, o público tenta adivinhar quem é quem por trás das panelas. Pedro aparece como a aposta da técnica refinada, mas é a postura dele, a frieza calculada, que prende a atenção de quem entende de gastronomia.
A técnica que nasceu na rua
Pedro não começou com medalhas ou escola de elite. Começou lavando pratos. Essa rotina, vivida em bares e buffets antes de chegar a restaurantes de alto padrão, forjou a disciplina que ele aplica hoje na cozinha do chef Danilo Parah. A base de um bom prato, ele diz, é construída no dia a dia, muito antes de qualquer estrela cair na porta.
Sua formação técnica aconteceu na adolescência, quando a curiosidade falava mais alto que o medo. Pedro olha para a comida como um artista. Nas folgas, longe do sofá, ele abre um caderno para desenhar pratos que ainda não existem. É um processo que mistura a precisão da gastronomia com a liberdade da arte visual, algo raro entre os profissionais da área.
Documentários de viagem e gastronomia são sua trilha sonora mental. Essa busca constante por referências externas mantém o repertório vivo e longe da estagnação. Para Pedro, a cozinha é investigação contínua: cada ingrediente é uma pista, cada receita é um mistério a ser desvendado com precisão.

O sabor de Minas no Rio
Há uma camada de memória afetiva na cozinha de Pedro que muitos não esperam. Ele viveu em Minas Gerais dos oito aos 15 anos, fase crucial para a formação do paladar. Essa experiência deixou marcas profundas no repertório, que hoje funde a robustez dos sabores mineiros com a leveza carioca. É uma fusão geográfica que resulta em pratos com personalidade única e identidade forte.
Além das influências regionais brasileiras, o cardápio traz traços de culturas árabes e portuguesas. Essa mistura não é acidental. É o resultado de uma carreira que o levou a trabalhar ao lado de nomes gigantes da gastronomia nacional. Roberta Sudbrack, Henrique Fogaça, Luiz Gustavo Moraes e Claudia Vasconcellos foram mentores, de forma direta ou indireta, na construção do estilo dele. Cada chef deixou um pedaço da filosofia na técnica de Pedro.

A mente como principal arma
Perguntado sobre estratégias para o reality, Pedro não fala de ingredientes secretos ou truques culinários. Fala de cabeça. Ele se define como competidor por natureza, alguém que lida bem com pressão extrema. Acredita que a concentração será a maior arma, superando até a técnica pura. Para ele, a estabilidade emocional é o diferencial que separa um bom cozinheiro de um campeão.
Essa visão mental é o que mais diferencia Pedro dos outros participantes. Em um ambiente onde o estresse é constante e erros podem ser fatais para a classificação, manter o foco é um superpoder. Ele não vê a pressão como inimiga, mas como combustível. É essa mentalidade de atleta que ele pretende levar para os estúdios da Globo, onde cada segundo conta e cada decisão é irreversível.
A jardinagem, seu outro hobby, talvez explique essa paciência e atenção aos detalhes. Cultivar plantas exige tempo, observação e cuidado constante, habilidades que se transferem diretamente para o tratamento dos alimentos. Pedro entende que a perfeição não é imposta, mas cultivada com tempo e dedicação, seja no jardim ou na cozinha.

O cenário competitivo
Pedro não está sozinho nessa disputa. Na mesma semana, foram apresentados Julio Ritta, o cozinheiro da internet com um projeto social de grande impacto, e Jéssica Cunha, a amadora que promete surpreender. A diversidade de perfis eleva o nível da competição e promete episódios cheios de tensão. Cada um traz uma bagagem diferente, mas todos buscam o mesmo objetivo: provar seu valor em um dos palcos mais exigentes do país.
A expectativa do público é alta. Após anos de reality shows de gastronomia, o brasileiro está mais crítico e exigente. Quer ver técnica, mas também quer sentir a história por trás de cada prato. Pedro tem a técnica e a história. A pergunta que fica é se ele conseguirá transformar essa combinação em vitórias consistentes sob os holofotes e a pressão de um grande auditório.
O que esperar da nova temporada
A nova temporada de Chef de Alto Nível chega num momento em que a gastronomia brasileira está em alta. A cena culinária local tem ganhado reconhecimento internacional, e o reality é uma vitrine para novos talentos. Pedro Fartura entra nessa disputa não apenas como um competidor, mas como uma representação de uma geração de chefs que valoriza a mentalidade tanto quanto a técnica.
Seu objetivo é claro: gravar seu nome no mercado. Não é uma frase de efeito, é uma estratégia. Ele sabe que a visibilidade gerada pelo programa pode abrir portas que ficaram fechadas por anos. A aposta é ousada, mas fundamentada em uma carreira sólida e uma personalidade forte. O público terá a oportunidade de ver de perto como essa mentalidade de competidor lida com os desafios da nova temporada.
Resta aguardar os próximos episódios para ver se a teoria se confirma na prática. Pedro Fartura está pronto para o jogo. As panelas estão quentes e a pressão, alta. O que virá em seguida é a prova de fogo, onde a concentração e a técnica de 13 anos serão postas à disposição do público brasileiro.
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