O Conselho de Ministros aprovou 200 milhões de euros para uma gigafábrica de inteligência artificial, integrada numa candidatura ibérica ao programa europeu EuroHPC. O objetivo é a soberania tecnológica.
Portugal quer passar a ter músculo próprio para produzir inteligência artificial. O Governo decidiu apostar numa chamada gigafábrica de IA, uma infraestrutura de computação de grande escala que promete colocar o país no mapa europeu da soberania tecnológica.
A aposta não é meramente simbólica. Envolve verbas avultadas e uma candidatura europeia, num momento em que vários países correm para garantir capacidade de cálculo suficiente para treinar e desenvolver os modelos de inteligência artificial mais exigentes.
Uma aposta de 200 milhões
O Conselho de Ministros aprovou, a 25 de junho de 2026, as medidas que sustentam o projeto. Numa primeira fase, Portugal compromete-se a investir 200 milhões de euros destinados à aquisição de tempo de computação nesta nova infraestrutura de grande dimensão.
A esse valor junta-se o financiamento do programa europeu EuroHPC, que iguala a verba nacional e eleva o total desta primeira fase para 400 milhões de euros. O investimento português no projeto completo está estimado em cerca de 4 mil milhões de euros.
O que é uma gigafábrica de IA

Mas o que é, afinal, uma gigafábrica de inteligência artificial? Trata-se de uma infraestrutura de computação de enorme escala, capaz de reunir a potência necessária para treinar e fazer funcionar modelos avançados que exigem recursos computacionais muito elevados.
Portugal não avança sozinho neste caminho. O país integra uma candidatura ibérica, em conjunto com Espanha, no âmbito do programa europeu EuroHPC, que prevê a criação de sete destas gigafábricas de inteligência artificial espalhadas por toda a Europa.
Soberania tecnológica
Para o ministro Gonçalo Matias, o objetivo é claro. Nas suas palavras, esta gigafábrica garante que Portugal passará a ter capacidades soberanas na produção de inteligência artificial, deixando de depender por completo de infraestruturas de terceiros.
A soberania tem um significado bastante prático. A infraestrutura procura assegurar que os dados sensíveis permanecem sob controlo nacional e que o seu tratamento cumpre as normas europeias de segurança e de confiança, um tema cada vez mais central no debate tecnológico.
Para quem serve
O projeto não se destina apenas às grandes empresas. Entre os objetivos está o apoio às pequenas e médias empresas, às startups, aos investigadores e à própria administração pública, alargando o acesso a uma capacidade de cálculo normalmente reservada a poucos.
Ao democratizar o acesso a esta potência de computação, o Estado espera acelerar a adoção da inteligência artificial e estimular a inovação em vários setores, desde a investigação científica até aos serviços prestados aos cidadãos no seu dia a dia.
Parte de um plano maior
A gigafábrica não surge de forma isolada. Enquadra-se na Agenda Nacional para a Inteligência Artificial e no Plano Nacional para os Centros de Dados, peças de uma estratégia mais ampla com que Portugal procura reforçar o seu peso no ecossistema tecnológico europeu.
O movimento acompanha uma tendência mais vasta na Europa, onde vários países tentam reduzir a dependência de fornecedores de fora do continente e construir capacidade própria para não ficarem para trás na intensa corrida global pela inteligência artificial.
O que falta saber
Ainda assim, muitas perguntas continuam em aberto. Até ao momento, não foram divulgados a localização concreta da infraestrutura nem um calendário detalhado de execução, pormenores que serão decisivos para avaliar o verdadeiro alcance deste projeto.
Se a aposta correr como planeado, Portugal ganhará um ativo estratégico de grande valor. A gigafábrica poderá tornar-se um dos pilares das ambições do país na inteligência artificial durante os próximos anos, com efeitos que vão muito além da tecnologia.
Texto muito útil sobre EuroHPC.
Acompanho EuroHPC e isto ajuda.
Verdade.
Bom ponto.

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