Com a sua posição privilegiada na rota atlântica das migrações, Portugal é um dos melhores destinos da Europa para observar aves. Do estuário do Tejo à Ria Formosa, passando por Castro Verde, descobrimos as zonas húmidas onde flamingos, garças e abetardas enchem a paisagem de vida.
Portugal é muito mais do que praias douradas e cidades históricas. Graças à sua posição estratégica na costa ocidental da Europa, o país transformou-se num dos grandes santuários de aves do continente, um lugar de passagem obrigatória para milhões de aves que todos os anos cruzam os céus entre a Europa e a África.
Estuários que são aeroportos de aves
As zonas húmidas portuguesas funcionam como autênticos aeroportos naturais, onde bandos incontáveis de aves migratórias fazem escala para descansar e alimentar-se antes de prosseguir viagem. Os seus lodaçais ricos em nutrientes oferecem um verdadeiro banquete a quem viaja milhares de quilómetros.
Situado na chamada rota atlântica das migrações, o território português recebe visitantes alados vindos do norte gelado da Europa que procuram aqui um clima mais ameno. Por isso, ao longo do ano, as suas lagoas e sapais oferecem espetáculos naturais em constante mudança, diferentes a cada estação.
O estuário do Tejo, às portas de Lisboa

Mesmo ao lado da capital, o estuário do Tejo é considerado uma das zonas húmidas mais importantes de toda a Europa. A poucos minutos do aeroporto de Lisboa, as suas vastas planícies de lodo enchem-se de milhares de aves que ali encontram abrigo e alimento em abundância durante boa parte do ano.
Entre os seus habitantes mais admirados estão os elegantes flamingos, as cegonhas-brancas e uma enorme variedade de limícolas que sondam a lama com os seus longos bicos. Com um pouco de sorte e paciência, é ainda possível avistar rapinas como a águia-calçada ou o discreto peneireiro-cinzento.
A Ria Formosa, joia do Algarve
Mais a sul, a Ria Formosa desenha um labirinto de ilhas, canais e sapais ao longo da costa algarvia. Este parque natural é um dos ecossistemas mais ricos do país, dando abrigo a mais de duzentas espécies de aves e servindo de refúgio a dezenas de milhares de migradoras em cada temporada.
Passear pelos seus trilhos é cruzar-se com o colorido caimão, o brilhante íbis-preto, os garbosos pernilongos e os graciosos colhereiros, que varrem a água com o seu bico em forma de colher. Os flamingos, sempre fotogénicos, completam um quadro de cores que fascina qualquer visitante.
Castro Marim e os flamingos todo o ano
Junto à fronteira com Espanha, a reserva natural do sapal de Castro Marim é outro paraíso escondido para os amantes das aves. As suas antigas salinas atraem grandes concentrações de flamingos, que aqui podem ser observados durante todo o ano, pintando de rosa as águas calmas.
Este é também um dos raros lugares do país onde é possível encontrar gaivotas muito localizadas e difíceis de ver noutros pontos da Europa. A tranquilidade das salinas convida a longas horas de contemplação, de binóculos em punho e olhos atentos ao menor movimento.
As planícies de Castro Verde e as abetardas
Nem só de água vive a observação de aves em Portugal. Nas vastas planícies cerealíferas de Castro Verde, no coração do Alentejo, habita um dos tesouros mais preciosos da natureza ibérica, as imponentes abetardas, algumas das aves voadoras mais pesadas de todo o planeta.
Estas estepes douradas acolhem também aves de rapina e a calhandra-real, uma das maiores cotovias do mundo. É uma paisagem aberta e luminosa, muito diferente das zonas húmidas, que mostra bem a enorme diversidade de ambientes que o pequeno território português consegue oferecer.
Quando e como observar
Embora haja aves para ver em qualquer altura, os meses de outono são talvez os mais mágicos, quando as grandes migrações enchem os céus de movimento e de novas espécies. O inverno e a primavera reservam também surpresas, tornando cada visita numa experiência sempre diferente e imprevisível.
Para desfrutar deste espetáculo basta pouco: uns binóculos, roupa discreta, calma e respeito pelos animais e pelos seus habitats. Muitas destas zonas ficam a curta distância das cidades e dispõem de observatórios e trilhos que tornam a experiência acessível a toda a família.

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