Feito da pele de um gigante peixe amazônico, o couro de pirarucu ganha espaço na moda como alternativa sustentável ao couro bovino, com uso em bolsas, sapatos e jaquetas e presença nas passarelas.
Um peixe gigante dos rios da Amazônia está a transformar-se em um dos materiais mais comentados da moda brasileira. O couro de pirarucu, feito a partir da pele do animal, ganha espaço como alternativa sustentável ao couro tradicional.
A ideia parte de um princípio simples e poderoso. Em vez de descartar a pele do peixe, ela é aproveitada e transformada em um material nobre, unindo a riqueza da floresta ao universo do design e da alta moda de luxo.
Um peixe que vira matéria-prima
O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo e faz parte da vida das comunidades ribeirinhas da Amazônia. Durante muito tempo, apenas a sua carne era aproveitada, enquanto a pele acabava sendo simplesmente descartada.
Foi justamente essa pele que passou a despertar interesse. Ao ser tratada e curtida, ela dá origem a um couro exótico, com escamas que chegam a medir entre três e quatro centímetros e criam texturas únicas em cada peça produzida.
De alternativa a tendência
Um dos nomes por trás dessa transformação é Oskar Metsavaht, fundador da marca carioca Osklen e presidente do Instituto-E, dedicado à sustentabilidade na Amazônia. Foi ele quem ajudou a levar o material para o universo do luxo.
A proposta nasceu como uma resposta a um problema ambiental. O couro bovino, amplamente usado na moda, está diretamente ligado ao desmatamento, e o pirarucu surgiu como uma alternativa capaz de reduzir bastante esse impacto.
Com o tempo, o que era experimento virou tendência. Hoje o couro de pirarucu é usado em bolsas, sapatos e jaquetas, e conquista tanto consumidores quanto estilistas em busca de materiais diferentes, elegantes e responsáveis.
Mais resistente e mais leve

Além do apelo sustentável, o material impressiona pelas próprias qualidades. Segundo as informações disponíveis, o couro de pirarucu é mais resistente que o couro bovino, ao mesmo tempo em que se mostra mais fino e mais macio.
Outro ponto forte está no cuidado com o meio ambiente. O curtimento é feito de forma orgânica, sem produtos químicos nocivos, e o couro chega a decompor-se em menos de cento e vinte dias quando é finalmente descartado.
Sustentabilidade com regras claras
Para que o material seja realmente sustentável, a pesca do pirarucu segue regras rígidas. Só podem ser capturados peixes com no mínimo um metro e meio, e a retirada é limitada a cerca de vinte por cento do estoque de cada lago.
Os resultados aparecem nos números. De acordo com os relatos, a população de pirarucu chegou a crescer 427 por cento nas áreas de pesca controlada, mostrando que produção e preservação podem, sim, caminhar lado a lado.
Da comunidade às passarelas
Por trás de cada peça existe uma extensa rede de trabalho. Um dos principais curtumes do setor processa cerca de cinquenta mil peles por ano, envolvendo 280 comunidades, muitas delas indígenas, ao longo da cadeia produtiva.
O material também já subiu às passarelas. Marcas como a Osklen e a Misci, do estilista Airon Martin, apostam no couro de pirarucu, e uma parceria da Misci com a Veja estreou tênis do tipo na Rio Fashion Week de 2026.
Um luxo com propósito
O momento parece favorável a esse tipo de produto. Estima-se que o mercado global de luxo sustentável ultrapasse os 130 bilhões de dólares até 2030, abrindo espaço para materiais que unem beleza, origem e responsabilidade.
Assim, um peixe da Amazônia acaba contando uma história bem maior. O couro de pirarucu mostra como a moda brasileira pode transformar recursos locais em valor, respeitando as comunidades e a floresta que os tornam possíveis.
Bom olhar a fundo sobre moda sustentável.
Acompanho moda sustentável e isto ajuda.
Verdade.
Concordo.
