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O usado nunca esteve tão em alta: o boom global dos brechós e da revenda de roupas FASHION · BR

O usado nunca esteve tão em alta: o boom global dos brechós e da revenda de roupas

Isabela Costa Isabela Costa isabelacosta.avalw.com · 1.7k reads Respect0 Save Share Read only
READS34live count PUBLISHED21 Sept2026 READING TIME4 min728 words LANGUAGEPortuguese
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Longe de ser um nicho, o mercado de roupas de segunda mão movimenta centenas de bilhões de dólares e cresce muito mais rápido que o varejo tradicional. Impulsionada por jovens e pela internet, a revenda virou uma das grandes forças da moda.

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Comprar roupas usadas já foi visto, durante muito tempo, como uma alternativa quase envergonhada, voltada apenas para quem não podia pagar por peças novas. Hoje, no entanto, essa realidade mudou por completo. Os brechós e as plataformas de revenda deixaram de ser um nicho para se tornar um dos segmentos mais dinâmicos e badalados de toda a indústria da moda.

Um mercado que dispara

A dimensão desse fenômeno é realmente impressionante. Segundo um relatório do setor, o mercado global de roupas de segunda mão já movimenta cerca de 393 bilhões de dólares e, mais do que isso, vem crescendo em um ritmo bem mais acelerado do que o do varejo de moda tradicional considerado como um todo.

Para se ter uma ideia, esse avanço é notavelmente veloz. De acordo com os dados, o setor de revenda está se expandindo em um ritmo cerca de 2,7 vezes mais rápido do que o restante da indústria de vestuário, e só em 2024 o mercado de segunda mão cresceu 15 por cento, respondendo já por aproximadamente 9 por cento de todo o gasto global com roupas.

A força das novas gerações

Garimpar peças únicas em brechós e feiras virou, para muitos jovens, uma verdadeira experiência e um estilo de vida.
Garimpar peças únicas em brechós e feiras virou, para muitos jovens, uma verdadeira experiência e um estilo de vida.

Por trás de todo esse crescimento há um protagonista bastante claro: os jovens. Segundo o relatório, as gerações conhecidas como Z e a dos millennials são as verdadeiras forças motrizes dessa economia, respondendo por impressionantes 71 por cento de todo o crescimento previsto para o mercado até o ano de 2030.

Esse entusiasmo dos mais jovens não acontece de forma alguma por acaso. Para muitos deles, comprar roupas usadas é ao mesmo tempo uma forma de economizar, de expressar um estilo próprio e original, e de se alinhar a valores importantes como a sustentabilidade, algo que pesa cada vez mais na hora de decidir o que vestir.

A revolução online

Grande parte dessa expansão está sendo fortemente impulsionada pelo ambiente digital. De acordo com as projeções, a revenda feita pela internet deve praticamente dobrar de tamanho até 2029, alcançando a marca de cerca de 40 bilhões de dólares, com uma taxa de crescimento anual estimada em torno de 13 por cento.

Os números de alguns mercados específicos ajudam a ilustrar bem essa força. Segundo os dados, apenas em 2025 o mercado de segunda mão nos Estados Unidos cresceu quase quatro vezes mais rápido do que o varejo de roupas convencional, e as estimativas apontam que ele deve alcançar 74 bilhões de dólares até o fim da década.

Por que essa mudança

Mas o que explica, afinal, uma transformação tão profunda nos hábitos de consumo? Os especialistas apontam uma combinação de fatores, que vai da crescente preocupação com o meio ambiente e o desperdício até a busca por preços mais acessíveis e por peças únicas, muitas vezes acompanhada de um certo cansaço em relação à moda descartável e produzida em massa.

Muito além da economia

O apelo dos usados, porém, vai muito além do simples bolso. Garimpar peças em brechós tornou-se, para muita gente, uma verdadeira experiência e até um estilo de vida, uma espécie de caça ao tesouro em que cada achado carrega uma história própria e permite montar looks impossíveis de encontrar nas prateleiras das grandes lojas.

A tendência é tão forte que a própria indústria começou a se render a ela. Como se observa, um número crescente de marcas e grandes varejistas passou a criar seus próprios canais de revenda, percebendo que aquilo que antes era visto como pura concorrência pode, na verdade, se transformar em uma nova e promissora fonte de negócios.

O que esperar

Olhando para a frente, tudo indica que a revenda deixou de ser uma moda passageira para se firmar como parte estrutural do futuro do setor. À medida que ganha escala e se torna cada vez mais fácil e conveniente, a compra de roupas usadas tende a se consolidar como uma opção plenamente natural para o consumidor de moda.

Ainda assim, alguns desafios permanecem no horizonte. Garantir a qualidade das peças, organizar a logística de coleta e revenda e manter a confiança dos compradores serão pontos decisivos para que o setor continue crescendo de forma saudável nos próximos anos, sem perder o encanto que o tornou tão popular junto ao público.

De todo modo, o recado que fica é bastante claro: o usado nunca esteve tão em alta. Ao unir economia, consciência ambiental e uma boa dose de estilo, os brechós e as plataformas de revenda reescreveram as regras do jogo e conquistaram, de vez, um lugar de destaque no guarda-roupa de toda uma nova geração.

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Isabela Costa 2026-09-21 · 4 min read · 34 reads
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