Com lojas sazonais em destinos de luxo como Ibiza, Capri e Saint-Tropez e a coleção Brasil Core, a Farm Rio aposta no verão europeu de 2026 para transformar o estilo carioca em um ativo global de marca.
A moda brasileira tem um novo campo de batalha, e ele fica bem longe das praias do Rio de Janeiro. A Farm Rio, uma das marcas de estilo de vida mais conhecidas do país, decidiu apostar pesado no verão europeu de 2026 para acelerar sua expansão internacional, levando o colorido e a alegria da estética carioca para alguns dos destinos mais badalados do continente.
Lojas de verão em destinos de luxo
O coração dessa estratégia são as lojas sazonais, os chamados pop-ups, instalados justamente onde o público de alto poder aquisitivo passa o verão. A marca montou pontos temporários em Marbella e Ibiza, na Espanha, em Capri, na Itália, em Saint-Tropez, na França, e em Mykonos, na Grécia, cobrindo um verdadeiro roteiro do turismo de luxo europeu.
A operação não é um teste tímido. As lojas funcionam ao longo de um período extenso, previsto entre o início de junho e meados de dezembro de 2026, e em destinos como Saint-Tropez e Mykonos esta já é a segunda temporada da marca, depois de uma estreia no ano anterior. A Europa passou a ser tratada, nas palavras da própria empresa, como uma vitrine global.
Brasil Core: vestir as cores do país

Para marcar presença, a Farm Rio lançou uma coleção que abraça sem cerimônia a identidade nacional. Batizada de forma a evocar um Brasil Core, a linha aposta nas cores da seleção brasileira de futebol e inclui até souvenirs, vendidos nos pop-ups como lembranças de uma experiência que mistura moda, viagem e brasilidade em um único pacote.
Por trás da roupa, há uma ideia maior. Segundo a marca, toda a comunicação internacional deste ano gira em torno do conceito das cariocas, buscando vender não apenas peças de vestuário, mas um estilo de vida associado ao Rio de Janeiro. A intenção é transformar o espírito carioca em um ativo de marca, tão reconhecível quanto o glamour ligado a cidades como Paris ou Milão.
Nao e so a Farm
A aposta da Farm Rio, ainda que seja uma das mais visíveis, não acontece isolada. Outras marcas brasileiras também escolheram o verão europeu como palco para ganhar projeção, num movimento coletivo que mostra uma nova confiança da moda nacional em disputar espaço com grifes tradicionais em território estrangeiro.
A PatBo, por exemplo, apostou em pop-ups em Portofino, na Itália, e também em Saint-Tropez, enquanto a Granado, conhecida por seus produtos de perfumaria e cuidados pessoais, marcou presença em endereços icônicos como o Printemps Haussmann, em Paris, e a Liberty, em Londres. A Havaianas, por sua vez, também figura entre as marcas com metas internacionais ambiciosas.
Numeros que sustentam a aposta
Os números ajudam a explicar por que a marca investe tanto fora do país. Atualmente, o mercado internacional já responde por cerca de 40 por cento do faturamento da Farm Rio, e essa frente internacional cresceu por volta de 25 por cento em 2025. Trata-se, portanto, de uma aposta ancorada em resultados concretos, e não apenas em ambição.
Esses indicadores reforçam a ideia de que uma marca brasileira pode, sim, escalar globalmente sem abrir mão de suas raízes. Em vez de tentar parecer europeia para agradar ao público local, a Farm Rio faz o caminho inverso e aposta exatamente naquilo que a torna diferente, ou seja, sua origem tropical e colorida.
Vender um estilo de vida
Essa lógica de vender um estilo de vida, e não só roupas, é uma das tendências mais fortes do mercado de luxo atual. Grandes grifes há décadas associam suas imagens a cidades e atmosferas específicas, e a Farm Rio tenta fazer o mesmo com a leveza praiana e ensolarada que o mundo já associa ao Brasil e, em especial, ao Rio de Janeiro.
Num mercado saturado de propostas parecidas, essa identidade tropical funciona como um diferencial poderoso. As estampas vibrantes, as cores quentes e a sensação de férias permanentes oferecem ao consumidor europeu algo que soa exótico e desejável, especialmente durante os meses quentes passados em ilhas e vilas à beira-mar.
Os desafios do caminho
Nem tudo, porém, é garantido. Uma estratégia baseada em lojas sazonais exige renovar constantemente o interesse do público, e a forte ligação com o verão pode limitar a presença da marca ao resto do ano. Além disso, crescer sem diluir a autenticidade que atraiu os clientes é um equilíbrio delicado que muitas marcas em expansão acabam por perder.
O que isso diz sobre a moda brasileira
No fim das contas, a ofensiva da Farm Rio no verão europeu diz muito sobre o momento da moda brasileira. Longe de ser apenas fornecedora de matéria-prima ou mão de obra, a indústria nacional mostra que quer vender conceito, identidade e desejo. Se a aposta der certo, o colorido carioca pode se tornar uma das exportações culturais mais lucrativas do país.
Ótima cobertura sobre Brasil Core.