Fecho da sessão de quinta-feira na praça lisboeta. O PSI 20 subiu 0,80%, puxado pelos resultados do BCP e pela reação positiva do mercado à Jerónimo Martins, apesar da queda de lucros.
Quem abriu o terminal esta manhã queria uma coisa só: o número final. E o número veio. O PSI 20 fechou a quinta-feira aos 9.319,57 pontos, uma subida de 0,80% que espelha o tom geral das praças europeias, mas com uma leitura própria de força nos pesos-pesados nacionais.
Não foi um rally generalizado, mas foi suficiente. Treze dos dezasseis títulos da carteira terminaram em verde, dois ficaram parados e apenas um caiu. Essa maioria clara permitiu ao índice superar a ligeira queda da véspera e consolidar um terreno que, até ao final da semana, parecia incerto.
Os motoristas da sessão
Duas ações carregaram o índice nas costas. A Jerónimo Martins saltou 2,58% para os 18,29 euros, o que parece contraditório se olharmos para os números divulgados na véspera: lucros nos primeiros nove meses desceram 14,5% para 414 milhões de euros. O mercado, porém, não se deixou intimidar.
A resposta de Pedro Soares dos Santos, que insistiu na proteção da eficiência operacional face aos custos de combustível, caiu bem. Somada às recomendações de compra e ao preço-alvo do JP Morgan, ajustado para 21,40 euros, a sinalética foi clara: os investidores viram solidez onde outros viam risco. O BCP, por seu lado, somou 1,33% para os 1,105 euros, sustentado por um lucro de 874 milhões de euros, um crescimento de 12,6%.
Miguel Maya, à frente do banco, fez o trabalho de tranquilizar a base acionista. Ao garantir que os principais investidores estão satisfeitos com o trimestre, o CEO ajudou a dissipar rumores de instabilidade no quadro de acionistas. Foi a combinação dos dois, retalho e banca, que definiu o tom da sessão.

O peso do setor energético
A energia elétrica também teve voz. A EDP fechou com um ganho de 0,84%, aos 4,899 euros, num movimento que acompanha a conclusão da compra da totalidade da EDPR Brasil por 990 milhões de euros. É uma jogada que reforça a posição da casa-mãe no mercado de renováveis.
A própria EDPR, a subsidiária focada nessas renováveis, subiu 0,72% para os 12,73 euros. A sincronia entre as duas cotadas do grupo é um sinal de que o setor continua a ser uma coluna vertebral do PSI 20, oferecendo estabilidade num trimestre de volatibilidade.

Construção e a única exceção
Na construção, a Teixeira Duarte foi a surpresa positiva, com um avanço de 1,08% para os 0,42225 euros. Esse brilho, porém, contrasta com a nota discordante da sessão: a Mota-Engil, a única ação a desvalorizar, caiu 0,26% para os 4,614 euros.
Já a Galp manteve-se quieta nos 20,65 euros. O setor dos combustíveis respirou com o recuo do Brent, que desceu 0,86% para 114,38 dólares, impulsionado por sinais de alívio diplomático no Médio Oriente. Menos tensão externa, menos pressão sobre o preço do petróleo, mais tranquilidade para o acionista.

O contexto europeu e cambial
Lisboa não anda sozinha. O desempenho da praça nacional acompanhou os ganhos em Paris, Frankfurt e Milão, numa semana que teve o BCE no centro do palco. Christine Lagarde manteve as taxas em 2,50%, uma decisão que o mercado digeriu com calma, preferindo focar-se no fluxo de resultados empresariais.
No câmbio, o euro cedeu 0,19% face ao dólar, cotando a 1,1133 em Frankfurt. Essa fraqueza cambial não travou o apetite pelo risco em Portugal. Pelo contrário, a atratividade do setor financeiro e do retalho nacional continuou a atrair capitais internacionais, que veem no PSI 20 uma oportunidade de valorização.
O que esperar a seguir
Com o índice acima dos 9.300 pontos, a base está sólida. Os resultados do BCP e a resiliência da Jerónimo Martins, mesmo com os lucros em queda, criam um fundo de confiança que não se abala com uma única sessão. A pergunta que fica não é se o mercado subiu, mas quanto espaço ainda há para crescer.
Na próxima semana, o foco volta às divulgações de resultados e à leitura do BCE sobre o câmbio. Por agora, a bolsa de Lisboa termina o dia com um balanço positivo, num patamar elevado que sugere que o otimismo europeu, por enquanto, continua a trabalhar a favor dos investidores locais.
Perguntas frequentes

Keep subscribing to Ricardo MachadoHer next filing reaches you the moment it publishes, on her own subdomain.
Subscribe
