Longe dos holofotes do bitcoin, as stablecoins atreladas ao dólar já respondem por cerca de 90 por cento do volume de criptomoedas no Brasil. O país saltou para o quinto lugar no ranking global de adoção, impulsionado por investidores cada vez mais jovens.
Enquanto boa parte das atenções no mundo das criptomoedas costuma se voltar para as oscilações do bitcoin, uma transformação bem mais silenciosa vem acontecendo no Brasil. Cada vez mais brasileiros estão adotando os chamados criptoativos no dia a dia, e os números mais recentes revelam um protagonista um tanto inesperado nessa história.
Uma revolução silenciosa
Antes de tudo, vale entender do que se trata. As chamadas stablecoins são criptomoedas cujo valor é atrelado ao de uma moeda tradicional, na maioria das vezes o dólar americano, o que faz com que elas mantenham um preço relativamente estável e previsível, bem diferente da forte volatilidade que é típica do bitcoin.
E é justamente esse tipo de ativo que hoje domina o mercado brasileiro. Segundo dados da autoridade tributária do país, as stablecoins já respondem por cerca de 90 por cento de todo o volume de criptomoedas movimentado no Brasil, um número que por si só revela o tamanho da sua presença por aqui.
O novo dólar dos brasileiros

A preferência dos brasileiros por esse tipo de moeda digital aparece com clareza nas pesquisas. De acordo com um levantamento realizado em meados do ano, cerca de 91,8 por cento dos usuários de cripto no país afirmam possuir stablecoins, sendo a chamada USDT, atrelada ao dólar, a opção mais popular entre todas elas.
Curiosamente, no entanto, poucos as utilizam de fato para comprar coisas. Segundo o mesmo levantamento, apenas cerca de 37 por cento dos usuários realmente gastam essas moedas no dia a dia, o que sugere que a grande maioria as enxerga muito mais como uma reserva de valor do que como um simples meio de pagamento.
Brasil sobe no ranking global
Todo esse movimento acabou colocando o país em posição de destaque também no cenário internacional. De acordo com o índice global de adoção elaborado pela empresa Chainalysis, o Brasil saltou para a quinta posição no mundo, uma escalada bastante significativa em relação ao décimo lugar que ocupava no ano anterior.
Esse avanço reflete uma adoção que há muito deixou de ser coisa de nicho. Segundo pesquisas recentes, estima-se que algo entre 18 e 19 por cento dos brasileiros já possuam algum tipo de criptomoeda, um percentual que mostra o quanto esses ativos deixaram de ser exclusividade de um pequeno grupo de entusiastas.
Volumes que não param de crescer
Quando se olha para o dinheiro em circulação, a real dimensão do fenômeno fica ainda mais evidente. De acordo com os dados reportados às autoridades, as transações com criptomoedas no país já giram em torno de 6 a 8 bilhões de dólares a cada mês, um volume que impressiona sobretudo pela sua constância.
E a tendência aparente é de forte aceleração. Segundo os números disponíveis, a demanda por criptoativos mais que dobrou no primeiro semestre deste ano, com volumes de compra alcançando cerca de 14,68 bilhões de dólares, o que representa um salto de aproximadamente 135 por cento na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A vez dos mais jovens
Boa parte dessa energia vem de uma geração mais nova de investidores. De acordo com os dados, a participação dos brasileiros com menos de 24 anos cresceu cerca de 56 por cento, com muitos deles escolhendo justamente as stablecoins e os produtos de renda fixa digital como a sua porta de entrada no universo cripto.
As razões para tamanha preferência não são difíceis de entender. Para muitos, as stablecoins funcionam como uma forma prática de se proteger das oscilações da moeda local e de obter exposição ao dólar sem sair do ambiente digital, algo especialmente valioso em um país historicamente marcado pela instabilidade cambial.
O que vem pela frente
Apesar de todo o entusiasmo, especialistas costumam pregar cautela diante de um mercado que ainda está amadurecendo. Eles lembram que os criptoativos seguem sujeitos a riscos e a um cenário regulatório em constante evolução, de modo que a educação financeira e a prudência continuam sendo essenciais para quem decide investir.
De todo modo, o retrato que emerge é o de um país que abraçou os criptoativos com uma velocidade bastante rara. Impulsionado sobretudo pelas stablecoins, o Brasil se consolida como um dos grandes polos globais desse mercado, e tudo indica que essa história ainda está apenas em seus primeiros capítulos.

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