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Menos de 1% dos ecrãs, quase um terço das receitas: como o IMAX está a salvar o cinema CULTURE · PT

Menos de 1% dos ecrãs, quase um terço das receitas: como o IMAX está a salvar o cinema

Tiago Fonseca Tiago Fonseca tiagofonseca.avalw.com · 3.8k reads Respect0 Save Share Read only
READS558live count PUBLISHED28 Aug2026 READING TIME3 min619 words LANGUAGEPortuguese
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Numa era dominada pelo streaming, é o maior de todos os ecrãs que está a puxar o cinema para cima. O IMAX bateu recordes em 2025 com 1,28 mil milhões de dólares e projeta 1,4 mil milhões em 2026, apesar de representar menos de 1% das salas do mundo. A era da premiumização mostra que o público está d

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Numa era em que quase tudo se pode ver em casa, num telemóvel ou numa televisão cada vez maior, resta uma pergunta incómoda para a indústria do cinema: porque é que ainda vale a pena sair de casa e comprar um bilhete? Cada vez mais, a resposta parece caber numa única palavra: o tamanho do ecrã.

Um ano de recordes

O melhor exemplo desta tendência chama-se IMAX, e os seus números falam por si. Em 2025, a empresa alcançou o melhor ano de sempre, com uma bilheteira mundial de 1,28 mil milhões de dólares, um valor 40 por cento superior ao de 2024 e ainda 13 por cento acima do anterior recorde, estabelecido em 2019.

E a trajetória não mostra sinais de abrandar. Para 2026, a IMAX projeta um crescimento ainda maior, apontando para cerca de 1,4 mil milhões de dólares, e os analistas de Wall Street acreditam mesmo que a empresa poderá bater um novo recorde global de receitas ao longo do presente ano.

Menos de 1% dos ecrãs

Menos de 1% dos ecrãs, quase um terço das receitas: como o IMAX está a salvar o cinema

O que torna estes números verdadeiramente impressionantes é a enorme desproporção entre o peso do IMAX e o seu impacto. Apesar de todo o alarido em seu redor, os ecrãs IMAX representam menos de um por cento de todas as salas de cinema do mundo, uma fatia realmente minúscula do total global.

No entanto, o retorno é gigantesco. No caso de um grande êxito como 'The Odyssey', de Christopher Nolan, as sessões em IMAX chegaram a representar quase 30 por cento de toda a bilheteira mundial do filme, e no conjunto dos grandes lançamentos os formatos premium já valem mais de 35 por cento da receita doméstica.

A era da premiumização

Por detrás destes valores está uma clara mudança de comportamento do público. Longe de fugir das salas, uma parte significativa dos espectadores está disposta a pagar bastante mais para viver a experiência no maior e melhor ecrã possível, transformando a ida ao cinema num acontecimento e não numa mera rotina.

Os números confirmam essa disponibilidade. Nos Estados Unidos, em 2026, o bilhete médio de adulto para uma sessão IMAX custava 20,57 dólares, mais de 60 por cento acima do preço de um bilhete normal, situado em 12,75 dólares, e ainda cerca de 18 por cento acima dos formatos premium rivais.

Não admira, por isso, que estes ecrãs se tenham tornado altamente cobiçados por Hollywood, com estúdios e realizadores a disputarem as poucas salas disponíveis e, em muitos casos, a conceberem os próprios filmes a pensar precisamente nesta experiência de grande formato e som envolvente.

O que isto significa para as salas

Esta lógica ajuda a explicar um dos grandes paradoxos do cinema atual: em vários mercados, as receitas sobem enquanto o número total de espectadores encolhe. A explicação está no facto de cada bilhete valer agora mais, com o público a concentrar-se nos grandes eventos e a pagar preços premium por eles.

Para as salas de cinema, sobretudo as que lutam pela sobrevivência num mundo dominado pelo streaming, a mensagem é clara: o futuro passa menos por encher todas as sessões e mais por oferecer aquilo que nenhum ecrã doméstico consegue igualar, uma imagem e um som impossíveis de reproduzir no sofá de casa.

O valor estratégico do IMAX é tão evidente que, mesmo em plena explosão de receitas, a empresa foi em 2026 alvo de conversas sobre uma possível venda, sinal de que estes ecrãs gigantes se tornaram um dos ativos mais desejados de toda a indústria do entretenimento a nível mundial.

No fim, a lição é quase irónica: numa época em que o cinema foi dado como ameaçado pelos pequenos ecrãs, é justamente o maior de todos os ecrãs que está a mostrar o caminho para a sua sobrevivência, provando que há experiências que continuam a valer bem o preço, e a viagem, até à sala.

1 responses
Lucas Martins2 months ago

Visão equilibrada sobre formato grande premium cinema PLF.

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Tiago Fonseca 2026-08-28 · 3 min read · 558 reads
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