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San Sebastián 2026 levanta a cortina: o festival ibérico que fecha um ciclo e abre a corrida aos prémios

Tiago Fonseca Tiago Fonseca tiagofonseca.avalw.com · 3.6k reads Respect0 Save Share Read only
READS506live count PUBLISHED7 Sept2026 READING TIME3 min665 words LANGUAGEPortuguese
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De 18 a 26 de setembro, San Sebastián celebra a sua 74ª edição com Fatih Akin na abertura, dezassete filmes a competir pela Concha de Ouro e prémios Donostia para Werner Herzog e Naomi Watts, num ano de despedida para o diretor José Luis Rebordinos.

Enquanto Veneza e Telluride já lançaram a temporada de prémios, é agora a vez de a Península Ibérica ocupar o centro das atenções do mundo do cinema. O Festival Internacional de Cinema de San Sebastián prepara-se para levantar a cortina da sua septuagésima quarta edição, confirmando o seu peso no calendário europeu.

Realizado na cidade basca de San Sebastián, também conhecida como Donostia, o certame decorre entre os dias 18 e 26 de setembro. Para o público português, trata-se de uma janela privilegiada, por ser um dos maiores festivais tão perto de casa e um ponto de encontro entre o cinema de autor europeu e as grandes produções internacionais.

Abertura e encerramento de peso

A responsabilidade de abrir esta edição cabe ao realizador alemão Fatih Akin, que apresenta o seu novo filme intitulado Ghost Song. A escolha de um cineasta com um percurso tão marcante para a sessão inaugural dá desde logo o tom de ambição que a organização quis imprimir a este ano em concreto.

Do outro lado do calendário, o encerramento ficará a cargo de Le Faux Soir, do realizador Michaël R. Roskam, um nome conhecido do público mais atento ao cinema europeu. A combinação destes dois títulos para as sessões de abertura e de fecho procura enquadrar toda a programação entre dois momentos de grande visibilidade.

Uma competição de dezassete filmes

A Concha de Ouro reúne autores consagrados e novas propostas, num dos momentos altos do calendário europeu de cinema.
A Concha de Ouro reúne autores consagrados e novas propostas, num dos momentos altos do calendário europeu de cinema.

No coração do festival está a secção oficial, onde dezassete filmes competem pela cobiçada Concha de Ouro, o principal galardão do certame. É nesta seleção que se concentram os olhares da crítica e da imprensa, sempre atentos a possíveis surpresas e a nomes que possam vir a marcar a temporada de prémios.

Entre os títulos em competição destaca-se Tender Loving Care, do veterano realizador britânico Mike Leigh, um autor cuja simples presença costuma elevar a expectativa em torno de qualquer festival. A sua candidatura promete ser uma das mais comentadas ao longo dos vários dias de projeções.

A representação latino-americana também se faz sentir com My Sad Dead, do chileno Pablo Larraín, um dos cineastas mais respeitados da atualidade. Junta-se a estes The Debut, do ator e realizador norte-americano Jesse Eisenberg, e ainda Les Misérables, do francês Fred Cavayé, reforçando a diversidade da seleção.

Um júri e prémios de prestígio

A missão de escolher os vencedores desta edição foi entregue a um júri presidido pelo realizador norte-americano Ira Sachs, um nome ligado a um cinema independente e autoral. A composição do júri é sempre um dos aspetos mais escrutinados, uma vez que ajuda a antecipar a sensibilidade com que os filmes serão avaliados.

Para além da competição, o festival vai homenagear duas figuras maiores do cinema com o Prémio Donostia, a sua mais alta distinção de carreira. Este ano, os galardoados são o histórico realizador alemão Werner Herzog e a atriz Naomi Watts, num reconhecimento que celebra percursos muito diferentes mas igualmente influentes.

O fim de uma era na direção

Esta edição ganha ainda um significado especial por marcar a despedida de José Luis Rebordinos, que dirige o festival há vários anos e conduz agora a sua última edição neste cargo. A partir de janeiro de 2027, a liderança passará para Maialen Beloki, abrindo assim um novo capítulo na história do certame.

A dimensão do festival vai muito além da secção oficial, com espaço para mostras dedicadas a novos realizadores, ao cinema latino-americano, às obras mais experimentais e à produção basca e espanhola. Esta variedade transforma San Sebastián num verdadeiro mapa do estado atual do cinema, das margens ao centro.

Um olhar a partir de Portugal

Para quem acompanha o cinema em Portugal, San Sebastián funciona como um termómetro precioso do que aí vem. Muitos dos filmes que passam por Donostia acabam por chegar mais tarde às salas nacionais ou aos festivais portugueses, tornando esta edição uma antecipação daquilo que iremos discutir nos próximos meses.

No fundo, esta septuagésima quarta edição resume bem o momento do cinema europeu, dividido entre a homenagem a grandes mestres e a aposta em novas vozes. Com uma mudança de direção no horizonte, San Sebastián prepara-se para fechar um ciclo e, ao mesmo tempo, lançar as bases daquilo que poderá ser o seu futuro próximo.

1 responses
Diogo Lima1 week ago

Boa análise de San Sebastián.

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Tiago Fonseca 2026-09-07 · 3 min read · 506 reads
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