avalw
CULTURE · PT

Cinema português em Locarno: Basil da Cunha fecha trilogia da Reboleira na competição do Leopardo de Ouro

Tiago Fonseca Tiago Fonseca tiagofonseca.avalw.com · 3.6k reads Respect0 Save Share Read only
READS596live count PUBLISHED18 Aug2026 READING TIME3 min691 words LANGUAGEPortuguese
AI CITATIONS? Gathering data

A 79.ª edição do Festival de Locarno levou dois filmes com assinatura portuguesa ao certame suíço. Basil da Cunha disputou o Leopardo de Ouro com O Jacaré, enquanto Edgar Pêra marcou presença fora de competição.

O cinema português voltou a marcar presença num dos mais prestigiados festivais europeus. Na 79.ª edição do Festival de Locarno, que decorreu de 5 a 15 de agosto na Suíça, dois filmes com assinatura lusa chegaram ao certame do sul dos Alpes, com destaque para O Jacaré, de Basil da Cunha, que disputou o principal prémio do evento, o Leopardo de Ouro.

A edição deste ano confirmou a dimensão do festival suíço. Ao todo foram exibidos 233 filmes, entre os quais 103 estreias mundiais, escolhidos a partir de um número recorde de 7.759 candidaturas. Na secção principal, o Concorso Internazionale, 17 longas-metragens competiram pelo Leopardo de Ouro, sob a presidência do júri do realizador belga Fabrice Du Welz.

A abertura, na emblemática Piazza Grande, teve como protagonista a atriz e realizadora italiana Isabella Rossellini, distinguida com o Prémio de Excelência 2026. A sessão inaugural exibiu ao ar livre o filme The Green Eyes, de Fanny Liatard e Jérémy Trouilh, perante os milhares de espectadores que enchem todos os anos a maior praça da cidade para as projeções noturnas.

O Jacaré e o fecho da trilogia da Reboleira

Uma sala de cinema durante uma projeção. Em Locarno, O Jacaré integrou a competição principal, uma das mais disputadas montras do cinema de autor europeu.
Uma sala de cinema durante uma projeção. Em Locarno, O Jacaré integrou a competição principal, uma das mais disputadas montras do cinema de autor europeu.

No centro da presença portuguesa esteve O Jacaré, uma coprodução entre a Suíça e Portugal realizada por Basil da Cunha. O cineasta luso-suíço integrou a competição principal do festival, um espaço reservado a um número restrito de obras e disputado por realizadores de todo o mundo, o que confirma o reconhecimento internacional do seu percurso.

O filme encerra uma trilogia dedicada ao bairro da Reboleira, na periferia de Lisboa, que o realizador foi construindo ao longo dos anos. A série teve início com O Fim do Mundo, apresentado em 2019, e prosseguiu com Manga d'Terra, de 2023, num retrato continuado das comunidades e das margens urbanas que atravessam toda a sua obra.

A ligação de Basil da Cunha a Locarno não é nova. O realizador tem um historial de passagens pelo festival suíço, que ao longo das últimas décadas se afirmou como uma montra atenta ao cinema de autor e às produções independentes, categorias em que o seu trabalho se enquadra. A presença na competição principal representa, por isso, mais um passo nessa relação de confiança.

Edgar Pêra fora de competição

A representação lusa não se limitou à competição. O realizador Edgar Pêra, uma das vozes mais experimentais do cinema português, marcou presença na secção fora de competição com Guerrilha no Asfalto. A escolha reforçou a diversidade da presença nacional, cruzando uma obra de forte pendor autoral com a corrida ao prémio maior do certame.

A par dos dois nomes portugueses, o festival contou ainda com outras produções de expressão lusófona, um sinal da crescente circulação do cinema falado em português nos grandes certames internacionais. Esta presença alargada ajuda a colocar autores e histórias de língua portuguesa no radar de programadores, distribuidores e da crítica especializada.

O palmarés e o desfecho para Portugal

O grande vencedor da edição foi o filme romeno You Don't Belong Here, realizado por Florin Serban, que conquistou o Leopardo de Ouro. A distinção máxima escapou assim a O Jacaré, que integrou a competição mas não figurou entre os premiados no encerramento, disputado por um conjunto particularmente exigente de obras vindas de vários continentes.

O palmarés distribuiu-se por vários nomes de peso. O Prémio Especial do Júri foi para The Riverbank, de Matheus Farias e Enock Carvalho, enquanto o coreano Hong Sang-soo foi distinguido na melhor realização por Nowhere to Lay My Eyes. Nas interpretações, os prémios foram entregues a Monica Bellucci e a Kim Min-hee, dois nomes reconhecidos internacionalmente.

Apesar de não ter arrecadado um troféu, a simples inclusão de um filme português na competição principal de Locarno tem um peso próprio. Estar entre as dezassete obras escolhidas para disputar o Leopardo de Ouro coloca o cinema nacional lado a lado com algumas das produções de autor mais aguardadas do ano e reforça a sua visibilidade junto do público e da indústria.

A passagem por Locarno costuma abrir caminho para a carreira dos filmes em festivais e salas. Para O Jacaré, o desafio seguinte será chegar aos cinemas portugueses e a novos certames, levando o retrato da Reboleira a públicos mais vastos. Para o cinema português, fica a confirmação de que continua a encontrar espaço nas montras europeias mais exigentes.

2 responses
Camila Souza4 weeks ago

Bom contexto sobre Festival de Locarno.

3
Diogo Barbosa1 week ago

Aprendi bastante sobre Festival de Locarno aqui.

1
Tiago Fonseca
Follow this desk
Tiago Fonseca
Create a free account to follow Tiago Fonseca. New stories land in your feed, and you can save any of them to your own reading lists.
Your library & lists →
Tiago Fonseca
WRITTEN BY THE AUTHOR
Tiago Fonseca 2026-08-18 · 3 min read · 596 reads
View profile →
VERIFY THIS STORY
ASK AI
Tiago Fonseca Keep following Tiago FonsecaHer next filing reaches you the moment it publishes, on her own subdomain.
Up next
More
Statistics Search Become a creator Alliances About Terms Privacy