Portugal detém um recorde pouco invejável nos Óscares de Melhor Filme Internacional: 42 filmes submetidos, nenhuma nomeação. Com uma nova edição a decorrer, recordamos esta longa caminhada do cinema português.
Há distinções no mundo do cinema que se conquistam com talento, mas também com uma boa dose de persistência ao longo do tempo. Para o cinema português, uma delas tem sido particularmente esquiva ao longo das décadas, quase como um sonho sempre adiado que teima em não se concretizar, por mais que o país tente.
Falamos da corrida ao Óscar de Melhor Filme Internacional, uma categoria em que Portugal acumula uma história curiosa e, ao mesmo tempo, um pouco frustrante. E como estamos precisamente na altura do ano em que se decide o representante nacional, vale bem a pena recordar todo este percurso com algum detalhe.
Um recorde que ninguém quer ter
Comecemos pelo dado mais impressionante de todos, aquele que resume bem a situação atual. De acordo com os registos disponíveis, até 2025 Portugal já tinha submetido 42 filmes a esta categoria dos Óscares, e nenhum deles conseguiu sequer chegar à lista final de nomeados, o que constitui um jejum verdadeiramente notável.
Esta longa série de tentativas sem sucesso acabou por dar a Portugal um recorde pouco invejável. Segundo os registos disponíveis, o país detém precisamente a marca de mais submissões alguma vez feitas sem nunca ter conseguido uma única nomeação, algo que praticamente nenhuma outra nação gosta de reivindicar para si.
Tudo começou em 1980
Para entender bem esta caminhada, é preciso recuar bastante no tempo. De acordo com os registos disponíveis, a primeira vez que Portugal marcou presença nesta corrida foi em 1980, na cerimónia que assinalava a 53.ª edição dos prémios, com o filme intitulado 'Morning Undersea', da autoria do realizador Lauro António.
Desde então, década após década, o país foi enviando com regularidade os seus filmes para a apreciação da Academia norte-americana. Foram mais de quarenta anos de candidaturas, algumas assinadas por nomes muito respeitados, mas o resultado final permaneceu sempre o mesmo, sem que a tão desejada nomeação chegasse a acontecer.
Quem escolhe o filme
Uma questão natural que se coloca é a seguinte: quem decide, afinal, qual o filme que representa o país? De acordo com os registos disponíveis, durante muitos anos essa escolha coube a um júri selecionado pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual, o organismo público que acompanha de perto todo o setor em Portugal.
Esse modelo, no entanto, acabou por mudar já neste século. Segundo os registos disponíveis, a partir de 2012 a responsabilidade pela escolha passou para a Academia Portuguesa de Cinema, então recém-criada, que ficou desde aí encarregue de indicar, todos os anos, o filme que carrega as esperanças nacionais.
Os nomes que já tentaram

A lista de candidaturas mais recentes mostra bem a qualidade e a diversidade do cinema que o país tem produzido. De acordo com os registos disponíveis, em 2020 foi escolhido 'Vitalina Varela', de Pedro Costa, seguindo-se 'A Metamorfose dos Pássaros', de Catarina Vasconcelos, logo no ano seguinte, dois olhares bastante pessoais.
A sequência prosseguiu com outros títulos de peso ao longo dos anos mais recentes. Segundo os registos disponíveis, seguiram-se 'Alma Viva', de Cristèle Alves Meira, 'Mal Viver', de João Canijo, 'Grand Tour', de Miguel Gomes, e mais recentemente 'Banzo', de Margarida Cardoso, numa clara mostra da vitalidade da produção nacional.
Há ainda um caso que merece destaque pela sua dimensão quase singular. De acordo com os registos disponíveis, o realizador Manoel de Oliveira, uma verdadeira lenda do cinema português, foi responsável, ele sozinho, por cerca de um quinto de todas as submissões do país, com oito filmes num total de quarenta ao longo da sua carreira.
O calendário desta edição
Voltando ao presente, esta nova edição segue um calendário bem definido que importa conhecer. De acordo com os registos disponíveis, são elegíveis os filmes estreados entre o início de outubro de 2025 e o final de setembro de 2026, sendo que o prazo para as candidaturas termina precisamente no dia 30 de setembro.
A partir daí, o processo entra numa fase de afunilamento progressivo até aos finalistas. Segundo os registos disponíveis, está prevista a divulgação de uma lista restrita de quinze filmes a 15 de dezembro de 2026, sendo que os cinco nomeados finais só serão conhecidos algum tempo depois, no dia 21 de janeiro de 2027.
Será desta vez
Resta agora saber qual será o filme escolhido para carregar, mais uma vez, o sonho de todo um país inteiro. Depois de tantas tentativas e de uma espera tão prolongada, cada nova candidatura acaba por trazer consigo uma ponta renovada de esperança. Talvez o próximo capítulo desta história seja, finalmente, aquele que toda a gente aguarda com ansiedade.
Boa análise de cinema português.

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