Em 2026, o matcha deixou de ser um segredo das cerimónias de chá japonesas para invadir cafés e redes sociais. Vou além da moda e mostro o que a ciência diz sobre as catequinas, a L-teanina e os verdadeiros efeitos deste pó verde na saúde.
Poucas bebidas conquistaram o mundo do bem-estar tão depressa como o matcha. Em 2026, aquele pó de um verde vibrante deixou de ser um segredo das cerimónias de chá japonesas para se tornar presença constante em cafés, redes sociais e cozinhas por todo o lado. Mas, para além da moda, o que diz mesmo a ciência sobre ele?
O que é, afinal, o matcha
Ao contrário do chá verde comum, em que as folhas são infundidas e depois deitadas fora, o matcha é feito a partir das folhas inteiras moídas até se transformarem num pó muito fino. Quem o bebe consome, por isso, a folha por completo, e com ela todos os seus compostos naturais.
As suas raízes estão profundamente ligadas à cultura japonesa, onde o matcha é há séculos o centro da cerimónia do chá. O gesto lento e cuidadoso de o preparar faz parte, desde sempre, do prazer e da serenidade que a bebida sempre prometeu a quem a saboreia.
Há ainda um pormenor importante no cultivo desta planta. Nas semanas antes da colheita, as plantas são cobertas e protegidas da luz solar direta, um processo que aumenta a produção de clorofila e de vários compostos que estão na base das suas propriedades.
Uma dose concentrada de antioxidantes
O matcha é especialmente rico em catequinas, um grupo de antioxidantes naturais. A mais estudada de todas chama-se EGCG, associada em vários trabalhos a efeitos protetores sobre as células e a um possível papel na saúde cardiovascular ao longo do tempo.
Por se consumir a folha inteira, uma única chávena de matcha pode conter uma quantidade de catequinas muito superior à de uma infusão de chá verde normal. É precisamente esta concentração que ajuda a explicar grande parte do entusiasmo em torno da bebida.
A calma e a concentração ao mesmo tempo

Talvez o efeito mais fascinante do matcha venha da combinação de dois compostos. Contém cafeína, que desperta e aumenta o estado de alerta, mas também L-teanina, um aminoácido associado à redução da ansiedade e a uma agradável sensação de tranquilidade.
Juntos, estes dois compostos criam aquilo a que os investigadores chamam uma atenção calma. Em vez do nervosismo que por vezes acompanha o café, muitas pessoas descrevem com o matcha um foco sereno e estável, sem os altos e baixos tão habituais.
O que dizem os estudos mais recentes
A investigação sobre o matcha ainda é jovem, mas os resultados começam a acumular-se. Um estudo controlado ao longo de doze meses observou que o consumo regular melhorou a qualidade do sono e a perceção emocional em adultos mais velhos com ligeiro declínio cognitivo.
De forma geral, os trabalhos científicos apontam para benefícios modestos, mas mensuráveis, ao nível da concentração, da resposta ao stress e da saúde do coração. Convém, ainda assim, manter os pés na terra e não esperar milagres de uma simples bebida quente.
Como incluir o matcha no dia a dia
Preparar matcha em casa é bem mais simples do que parece. Basta uma pequena colher do pó, água morna e um batedor de bambu para o dissolver bem, evitando grumos. Pode beber-se puro, à maneira tradicional, ou misturado com leite numa versão bastante mais suave.
Convém, no entanto, escolher um pó de boa qualidade e não o afogar em açúcar. Muitas bebidas de matcha vendidas já prontas escondem grandes quantidades de adoçantes, o que acaba por anular parte dos benefícios que levaram tanta gente a procurá-lo.
Moda passageira ou hábito para ficar
Quando olho para a ascensão do matcha, vejo muito mais do que uma simples tendência das redes sociais. Vejo o reflexo de uma vontade crescente de cuidar do corpo e da mente de forma consciente, escolhendo com atenção aquilo que colocamos, dia após dia, dentro da chávena.
Boa análise de antioxidantes.
