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A conta que não fecha: juros altos e o recorde de endividamento das PMEs

Rafael Souza Rafael Souza rafaelsouza.avalw.com · 37 reads Respect0 Save Share Read only
READS4live count PUBLISHED31 Oct2026 READING TIME3 min625 words LANGUAGEPortuguese
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Selic em 13,75% e 9,1 milhões de empresas com dívidas em atraso: o cenário que redefine a gestão de caixa.

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O número que assusta não está nas manchetes de consumo, mas nos balanços das pequenas indústrias. Segundo o Panorama da Pequena Indústria da CNI, divulgado em 30 de outubro de 2026, o indicador de situação financeira do setor atingiu o menor patamar dos últimos cinco anos. É um sinal de alerta vermelho para quem acredita que a queda recente da Selic já trouxe alívio.

A realidade é mais complexa. A taxa de juros começou a cair em 2026, mas o dinheiro continua caro. Estamos falando de um ambiente onde a Selic está em 13,75% ao ano, após o corte de 0,25 ponto percentual decidido pelo Copom em setembro. Para o pequeno empresário, isso significa margens apertadas e um caixa sob pressão constante.

O peso do crédito caro no caixa

O custo elevado da dívida não é apenas uma questão de lucro, é uma questão de sobrevivência. A Serasa Experian aponta que 9,1 milhões de empresas tinham dívidas em atraso em junho de 2026, um recorde histórico. A maioria desses negócios é composta por micro e pequenas empresas, que sentem o impacto de cada ponto percentual de juros no seu dia a dia.

Refinanciar passivos deixou de ser uma tarefa pontual de fim de ano. Agora, renegociar prazos e revisar o capital de giro são atividades contínuas. O prazo de recebimento, o nível de estoque e o custo de antecipar recebíveis entram na conta de cada decisão financeira. A área financeira das empresas precisa projetar o caixa com uma precisão cirúrgica para antecipar necessidades de financiamento.

O custo do dinheiro caro pesa diretamente no caixa das pequenas empresas.
O custo do dinheiro caro pesa diretamente no caixa das pequenas empresas.

CDI ou taxa fixa: a escolha que define o risco

Muitos gestores ainda tratam dívidas como um item estático, mas a escolha entre atrelar o passivo ao CDI ou travar em taxa fixa é uma decisão estratégica vital. Dívidas atreladas ao CDI acompanham a Selic, enquanto as de taxa fixa travam o custo. Essa escolha exige uma leitura profunda do cenário macroeconômico e noções sólidas de risco.

Quando a renda fixa paga bem, como acontece com a Selic em 13,75%, os projetos de investimento precisam render mais para se justificar. A taxa de desconto e a análise de viabilidade ganham peso na mesa de diretoria. Não se trata apenas de calcular o retorno, mas de saber explicar essas contas para o conselho, demonstrando que a decisão foi tomada com base em análise de cenários e gestão de risco.

As micro e pequenas empresas enfrentam o recorde de inadimplência.
As micro e pequenas empresas enfrentam o recorde de inadimplência.

O recuo do crédito e a pressão dos custos

A CNI destaca que a piora na situação financeira das pequenas indústrias reflete os efeitos combinados dos juros elevados, das restrições ao crédito e da pressão dos custos sobre as operações. Não é apenas uma questão de inflação, mas de uma combinação de fatores que sufocam a capacidade de investimento do setor produtivo.

Nesse contexto, o Banco Central mantém o alerta de que os riscos para a inflação seguem elevados. A autoridade monetária condiciona os próximos passos às informações que chegarem até a reunião seguinte, marcada para 3 e 4 de novembro. Para quem trabalha com finanças corporativas, isso significa estar preparado tanto para a continuidade do crédito caro quanto para uma queda gradual, mantendo a análise de cenários como competência central.

A escolha entre taxa fixa e variável exige análise de cenários precisa.
A escolha entre taxa fixa e variável exige análise de cenários precisa.

A nova competência do profissional de finanças

O mercado está exigindo um perfil diferente para o profissional de finanças. Não basta mais ser um executor de rotinas contábeis. É preciso ter visão estratégica, capacidade de modelagem de cenários e uma comunicação clara com a diretoria. A transição de carreira no setor é constante, com seis em cada dez profissionais migrando para funções novas após a demissão, segundo a LHH.

A tecnologia e a inteligência artificial estão redefinindo as posições de entrada no mercado. O profissional que domina a leitura de juros, a gestão de liquidez e a análise de risco está mais preparado para navegar essa turbulência. O próximo passo é claro: investir em qualificação contínua e entender que a gestão de caixa não é uma tarefa administrativa, mas o coração da estratégia empresarial.

Perguntas frequentes

Qual foi o indicador de situação financeira das pequenas indústrias no Panorama da CNI de 2026?

O indicador atingiu o menor patamar dos últimos cinco anos, segundo o Panorama da Pequena Indústria da CNI divulgado em 30 de outubro de 2026. Esse resultado sinaliza uma deterioração significativa na saúde financeira do setor, apesar da recente queda na taxa Selic.

Quantas empresas tinham dívidas em atraso em junho de 2026?

A Serasa Experian aponta que 9,1 milhões de empresas possuíam dívidas em atraso em junho de 2026, um recorde histórico. A maioria desses negócios é composta por micro e pequenas empresas, que sentem o impacto direto do custo elevado do crédito.

Qual é a diferença estratégica entre dívidas atreladas ao CDI e as de taxa fixa?

Dívidas atreladas ao CDI acompanham as variações da taxa Selic, enquanto as de taxa fixa travam o custo do financiamento. Essa escolha exige uma leitura profunda do cenário macroeconômico, pois define o nível de risco e a previsibilidade do fluxo de caixa da empresa.

Quando ocorre a próxima reunião do Copom mencionada no texto?

A reunião seguinte do Copom está marcada para os dias 3 e 4 de novembro. O Banco Central condiciona seus próximos passos sobre a taxa de juros às informações que chegarem até essa data, mantendo o alerta de que os riscos para a inflação seguem elevados.

Como o mercado está mudando o perfil exigido para profissionais de finanças?

O mercado exige agora um perfil com visão estratégica, capacidade de modelagem de cenários e comunicação clara com a diretoria, indo além das rotinas contábeis. Segundo a LHH, seis em cada dez profissionais migram para novas funções após a demissão, refletindo essa transição constante no setor.

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Rafael Souza 2026-10-31 · 3 min read · 4 reads
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