A investigadora portuguesa Catarina V. Guerreiro integrou a expedição internacional IMAGE, no Mar da Gronelândia, para estudar a bomba biológica de carbono e o papel do oceano no combate às alterações climáticas.
Uma cientista portuguesa participou numa das mais recentes expedições internacionais dedicadas ao estudo do oceano no Ártico. A missão procurou compreender melhor o papel que o mar desempenha no combate às alterações climáticas, num dos ambientes mais frios e sensíveis de todo o planeta.
O trabalho, que decorreu ao longo de várias semanas a bordo de um navio de investigação, terminou no início de setembro. Durante a viagem, os cientistas estudaram a forma como o oceano capta o carbono presente na atmosfera e o transporta para as profundezas.
A expedição IMAGE
A campanha teve o nome de IMAGE, sigla que remete para o impacto da atividade de mesoescala na biogeoquímica do Mar da Gronelândia. O objetivo passou por observar de perto os processos naturais que ocorrem nesta região específica do Ártico.
Segundo a informação divulgada, a expedição partiu a 2 de agosto de Reiquiavique, na Islândia, e terminou a 3 de setembro de 2026 em Svalbard, na Noruega. Os trabalhos decorreram a bordo do navio oceanográfico espanhol Odón de Buen.
A bomba biológica de carbono

No centro da investigação esteve a chamada bomba biológica de carbono. Trata-se de um mecanismo natural através do qual o oceano captura carbono da atmosfera e o transporta para águas profundas, onde pode permanecer armazenado durante séculos.
Este processo tem um papel importante na regulação do clima, uma vez que ajuda a retirar dióxido de carbono da atmosfera. Compreender como funciona, e como poderá alterar-se no futuro, é essencial para antecipar a evolução do aquecimento global.
Uma equipa internacional
A expedição reuniu investigadores de vários países, num claro exemplo de cooperação científica à escala internacional. De acordo com os dados disponíveis, participaram equipas de Espanha, Alemanha, Dinamarca, França, Reino Unido, China e Portugal.
A colaboração entre diferentes nações permite juntar meios, conhecimento e experiência que dificilmente estariam ao alcance de um só país. No caso do estudo dos oceanos, esta partilha torna-se ainda mais relevante, dada a enorme dimensão do desafio.
A investigadora portuguesa
A presença portuguesa nesta missão coube a Catarina V. Guerreiro, investigadora ligada à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O seu trabalho está também associado ao MARE, Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, e ao Instituto Dom Luiz.
A participação de uma cientista nacional numa expedição desta natureza reforça o contributo de Portugal para a investigação dos oceanos. O país tem uma longa ligação ao mar, que se estende também ao campo da ciência e da observação ambiental.
O oceano e o clima
Os oceanos absorvem uma parte significativa do dióxido de carbono que resulta da atividade humana, funcionando como um enorme regulador do clima do planeta. Sem esse papel, o aquecimento sentido à superfície seria provavelmente ainda mais acentuado.
O Ártico, e em particular o Mar da Gronelândia, é uma das zonas onde estes processos se tornam mais visíveis e sensíveis. As águas frias e as condições muito específicas da região fazem dela um local privilegiado para este tipo de observação.
Ciência para o futuro
Missões como esta permitem recolher dados que servirão de base a estudos durante os próximos anos. A informação obtida no terreno é fundamental para melhorar os modelos que procuram antecipar as mudanças no clima e nos oceanos do planeta.
Com o regresso da expedição a terra, começa agora a longa fase de análise de tudo o que foi recolhido. Os resultados poderão ajudar a compreender melhor de que forma o oceano continuará a influenciar o clima nas próximas décadas.
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