O preço mediano das casas vendidas em Portugal chegou aos 2.337 euros por metro quadrado, o valor mais alto de sempre, após subir 19,8% num ano. Os preços continuam a crescer muito acima dos salários das famílias.
O acesso à habitação é, hoje, uma das maiores preocupações das famílias portuguesas, e os dados mais recentes ajudam a explicar porquê. O preço das casas em Portugal continua a subir de forma acentuada, tendo atingido um novo máximo histórico e colocando cada vez mais pressão sobre o orçamento de quem procura comprar casa.
A rapidez desta subida e o contraste com a evolução dos salários tornam este um tema central do debate económico e social. Neste artigo, com base nos dados divulgados, vamos analisar passo a passo a evolução dos preços, o número de casas vendidas e as enormes diferenças que existem entre as várias regiões do país.
Um novo máximo histórico
Os números mais recentes confirmam a forte tendência de subida que se tem verificado no mercado da habitação. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, o preço mediano das casas vendidas atingiu os 2.337 euros por metro quadrado, o valor mais elevado alguma vez registado.
Esta subida não é, de todo, ligeira. Segundo os mesmos dados, o preço mediano da habitação aumentou cerca de 19,8 por cento ao longo do último ano, um ritmo muito acelerado que dificulta, de forma significativa, a vida de quem tenta entrar no mercado imobiliário pela primeira vez.
Menos casas vendidas
Curiosamente, esta escalada de preços tem sido acompanhada por uma quebra no número de transações. De acordo com os dados divulgados, no primeiro trimestre de 2026 foram vendidas cerca de 35.953 casas no país, o que representa uma descida de aproximadamente 10,5 por cento face ao mesmo período do ano anterior.
Esta tendência não é isolada e merece ser acompanhada com atenção. Segundo a informação divulgada, tratou-se do segundo trimestre consecutivo em que o número de casas vendidas registou uma quebra, um sinal de que os preços elevados poderão estar, aos poucos, a afastar alguns compradores do mercado.
Preços sobem mais que os salários

Um dos aspetos mais preocupantes desta situação prende-se com o desfasamento entre os preços e os rendimentos das famílias. De acordo com os dados divulgados, os preços da habitação continuam a subir a um ritmo muito superior ao dos salários, o que agrava, ano após ano, as dificuldades de acesso a casa própria.
Este desequilíbrio tem consequências profundas na vida das pessoas. Quando o custo das casas cresce muito mais depressa do que aquilo que se ganha, uma parte cada vez maior do orçamento familiar é absorvida pela habitação, sobrando menos para outras despesas essenciais e para a poupança.
Grandes diferenças entre regiões
Os valores médios escondem, no entanto, realidades muito distintas consoante a zona do país. De acordo com os dados divulgados, a Grande Lisboa apresentou o preço mais elevado, com cerca de 3.836 euros por metro quadrado, seguida do Algarve, com aproximadamente 3.352 euros por metro quadrado.
Noutras regiões, os valores continuam elevados, mas ligeiramente mais acessíveis. Segundo os mesmos dados, a Península de Setúbal registou cerca de 2.996 euros por metro quadrado e a Área Metropolitana do Porto cerca de 2.552 euros. No extremo oposto, as Beiras e Serra da Estrela apresentaram o valor mais baixo, com apenas 734 euros por metro quadrado.
Usadas sobem mais que as novas
A distinção entre casas usadas e casas novas também revela dinâmicas interessantes neste mercado. De acordo com os dados divulgados, as casas usadas registaram uma subida de preços superior à das casas novas, com aumentos médios anuais de 18,9 por cento face a 14,2 por cento, respetivamente.
Esta diferença ajuda a compreender a forte procura que existe por habitação já existente, muitas vezes localizada em zonas centrais e consolidadas das cidades. A escassez de oferta, aliada a esta elevada procura, acaba por pressionar ainda mais os preços deste tipo de imóveis, tornando-os cada vez menos acessíveis.
Um mercado sob pressão
Em suma, os dados mais recentes mostram um mercado da habitação sob enorme pressão, com preços em máximos históricos e um acesso cada vez mais difícil para muitas famílias. Encontrar um equilíbrio saudável entre a oferta, a procura e os rendimentos será, seguramente, um dos grandes desafios dos próximos anos.
Visão equilibrada sobre preço das casas.

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