avalw
BUSINESS · BRAZIL

Reforma tributária 2026: como o novo imposto sobre o consumo vai mudar o bolso do brasileiro

Letícia Oliveira Letícia Oliveira leticiaoliveira.avalw.com · 139 reads Respect0 Save Share Read only
READS339live count PUBLISHED12 Sept2026 READING TIME4 min844 words LANGUAGEPortuguese
AI CITATIONS? Gathering data

A maior mudança no sistema de impostos do Brasil em décadas começou a sair do papel em 2026. Com a criação do IVA Dual, a unificação de cinco tributos e a novidade do split payment, a reforma tributária promete simplificar a cobrança, mas também traz dúvidas sobre a alíquota e o impacto no dia a dia

O Brasil vive o início da maior transformação em seu sistema de impostos em várias décadas. Depois de anos de debate no Congresso, a chamada reforma tributária finalmente começou a sair do papel em 2026, prometendo simplificar uma das estruturas de cobrança mais complexas do mundo. Para quem consome, produz ou empreende no país, entender o que muda deixou de ser assunto apenas de especialistas e virou uma necessidade prática.

O que é a reforma tributária

No coração da mudança está a criação de um modelo conhecido como IVA Dual, sigla para imposto sobre valor agregado em duas frentes. A ideia central é substituir uma confusa colcha de retalhos de tributos por um sistema mais moderno e transparente. Em vez de cinco impostos diferentes incidindo sobre o consumo, o país passa a ter basicamente dois grandes tributos, além de um imposto específico para determinados produtos.

CBS, IBS e o imposto seletivo

Na prática, surgem três novas siglas que os brasileiros vão precisar decorar. A CBS, de competência federal, reúne o antigo PIS e a Cofins. Já o IBS, partilhado entre estados e municípios, substitui o ICMS e o ISS. Por fim, o imposto seletivo toma o lugar do IPI e incide sobre itens específicos, como cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes, veículos poluentes e a atividade de mineração no país.

Um cronograma de transição longo

A troca não acontece de uma hora para outra, mas sim de forma gradual ao longo de vários anos. O ano de 2026 funciona como uma fase de testes, com uma alíquota simbólica de um por cento, dividida entre a nova CBS e o IBS. A partir de 2027, o PIS e a Cofins deixam de existir, e a transição segue até 2033, quando o ICMS e o ISS serão finalmente extintos e o novo sistema passará a valer de forma definitiva.

A alíquota que preocupa

Um dos pontos que mais gera discussão é o tamanho da alíquota padrão do novo imposto. As estimativas mais recentes apontam que a soma do IBS com a CBS deve ficar em algo entre 26,5 e 28,6 por cento, um dos patamares mais altos do mundo para esse tipo de tributo. O valor exato ainda depende de calibrações, mas já acende o sinal de alerta para setores e consumidores atentos ao custo final.

Split payment, a grande novidade

A forma como pagamos e como o imposto é recolhido está prestes a mudar, com reflexos diretos no caixa das empresas e, no fim das contas, no bolso do consumidor.
A forma como pagamos e como o imposto é recolhido está prestes a mudar, com reflexos diretos no caixa das empresas e, no fim das contas, no bolso do consumidor.

Entre as inovações mais disruptivas está o chamado split payment, ou pagamento dividido. Por esse mecanismo, no momento da compra o próprio sistema bancário ou a credenciadora do cartão separa automaticamente a parcela referente ao imposto e a envia direto para os cofres públicos. Com isso, acaba o antigo prazo em que a empresa segurava esse dinheiro em caixa, o que exige uma nova forma de organizar o fluxo financeiro.

Por que mudar tudo isso

A grande promessa da reforma é acabar com distorções que há muito atrapalham a economia brasileira. Uma delas é a cobrança de imposto sobre imposto, a chamada cumulatividade, que encarece produtos ao longo da cadeia de produção. Outro objetivo é dar mais transparência, com o valor do tributo destacado na nota fiscal, além de encerrar a chamada guerra fiscal, a disputa em que estados oferecem benefícios para atrair empresas.

Quem sai ganhando

A reforma também traz alívios pensados para proteger os mais vulneráveis e alguns setores estratégicos. Itens essenciais da cesta básica, como arroz, feijão, carnes, leite e pão, terão alíquota zero, ficando livres do novo imposto. Pessoas com deficiência ganharam um teto maior para a compra de veículos, que subiu de 70 mil para 100 mil reais, enquanto pequenos produtores rurais com faturamento até 3,6 milhões por ano ficam isentos.

O impacto no dia a dia

Para o cidadão comum, a mudança promete deixar mais claro quanto de imposto está embutido em cada compra, algo que hoje fica escondido no preço. Ainda assim, o efeito final sobre o custo de vida dependerá de como cada setor vai se ajustar às novas regras. Serviços e produtos podem ser afetados de maneiras diferentes, e o consumidor precisará ficar atento para entender onde paga mais e onde eventualmente paga menos.

Desafios da implementação

Apesar do objetivo de simplificar, a fase de transição não será simples. Empresas de todos os tamanhos terão de adaptar sistemas, treinar equipes e conviver por anos com dois modelos funcionando ao mesmo tempo, o antigo e o novo. Esse período de convivência exige planejamento e pode gerar custos e insegurança, especialmente para o pequeno empreendedor, que nem sempre conta com uma estrutura robusta de contabilidade.

Um olhar de fora

A mudança também chamou a atenção de organismos internacionais que acompanham a economia brasileira. Em avaliações recentes, o Fundo Monetário Internacional destacou o progresso representado pela reforma tributária, ao mesmo tempo em que reforçou a necessidade de medidas fiscais e de reformas estruturais para garantir estabilidade nos próximos anos. Esse reconhecimento externo mostra que o país deu um passo importante, mas ainda tem uma longa lista de tarefas pela frente.

O que esperar dos próximos anos

Os próximos anos serão decisivos para mostrar se a reforma vai cumprir o que promete. Muita coisa ainda depende de regulamentações, ajustes de alíquotas e da forma como a máquina pública vai implementar as novas regras na prática. Uma coisa, porém, já é certa: acompanhar de perto essa transição será fundamental para qualquer pessoa que queira cuidar bem do próprio dinheiro e planejar o futuro com mais segurança.

3 responses
Ana Araujo4 days ago

Visão equilibrada sobre IVA Dual.

4
Tiago Martins4 days ago

Bom olhar a fundo sobre IVA Dual.

2
Lucas Souza5 days ago

IVA Dual: melhor tratado que em outros lugares.

1
Letícia Oliveira
Follow this desk
Letícia Oliveira
Create a free account to follow Letícia Oliveira. New stories land in your feed, and you can save any of them to your own reading lists.
Your library & lists →
Letícia Oliveira
WRITTEN BY THE AUTHOR
Letícia Oliveira 2026-09-12 · 4 min read · 339 reads
View profile →
VERIFY THIS STORY
ASK AI
Letícia Oliveira Keep following Letícia OliveiraHer next filing reaches you the moment it publishes, on her own subdomain.
Up next
More
Statistics Search Become a creator Alliances About Terms Privacy