O mercado precifica cerca de 95% de chance de o Copom reduzir a Selic de 14,00% para 13,75% na reunião de 15 e 16 de setembro, dando sequência ao ciclo de cortes iniciado em 2026.
A taxa básica de juros do Brasil volta ao centro das atenções nesta semana. O Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, se reúne para definir o novo patamar da Selic, e o mercado já trabalha com forte expectativa de mais um corte. A decisão terá impacto direto sobre o crédito, os investimentos e o dia a dia dos brasileiros.
A decisão desta semana
A reunião do Copom acontece nos dias 15 e 16 de setembro de 2026. Atualmente, a Selic está em 14,00% ao ano, patamar definido após o corte realizado no início de agosto. A grande dúvida não é tanto a direção da política monetária, mas o ritmo com que o Banco Central seguirá reduzindo os juros.
Um ciclo de cortes

O movimento atual faz parte de um ciclo de afrouxamento monetário iniciado em 2026. A Selic havia permanecido em 15,00% ao longo do segundo semestre de 2025, e desde então passou a cair em passos de 0,25 ponto percentual a cada reunião, recuando para 14,75%, depois 14,50%, 14,25% em junho e, por fim, 14,00% em agosto.
Essa sequência de cortes mostra que a autoridade monetária avalia haver espaço para tornar o crédito menos caro, à medida que o cenário econômico evolui. Ainda assim, o Banco Central tem sinalizado cautela, deixando claro que suas decisões dependem dos dados que chegam a cada novo período.
O que o mercado espera
As apostas dos investidores são claras. Segundo as opções negociadas na B3, havia cerca de 95% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto na reunião de setembro, contra aproximadamente 3,5% de chance de manutenção, de acordo com dados divulgados em 10 de setembro. Um corte levaria a Selic de 14,00% para 13,75%.
Com uma expectativa tão concentrada, a atenção do mercado se volta menos para a decisão em si e mais para o comunicado que a acompanha. É nesse texto que o Copom costuma indicar como enxerga os próximos passos, algo que pode mexer com as projeções para o restante do ano.
A inflação ainda pressiona
O pano de fundo continua sendo a inflação. No momento da divulgação, em 11 de setembro, o índice acumulado em doze meses rodava perto de 5,1%, acima do centro da meta de 3%, ainda que dentro da banda de tolerância. Esse nível ajuda a explicar por que o Banco Central adota um tom prudente mesmo ao cortar juros.
Reduzir os juros com a inflação acima do alvo exige equilíbrio. Cortes rápidos demais poderiam estimular os preços, enquanto uma postura excessivamente rígida poderia frear a atividade econômica. O desafio do Copom é encontrar o ponto de ajuste entre esses dois riscos.
As projeções do Focus
As expectativas de médio prazo estão reunidas na pesquisa Focus, feita com analistas de mercado. Para o fim de 2026, os participantes projetam a Selic em 13,75% e a inflação em 5,00%. Já para o fim de 2027, as estimativas apontam para juros em 12,00% e inflação em torno de 4,3%.
Esses números sugerem que o mercado enxerga a continuidade do ciclo de cortes, mas de forma gradual. A trajetória esperada indica juros mais baixos ao longo do tempo, acompanhados de uma inflação que, na visão dos analistas, deve ceder aos poucos.
De olho no Federal Reserve
A reunião do Copom coincide com um encontro importante no exterior. O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, também se reúne em 15 e 16 de setembro, com expectativa de manter sua taxa entre 3,50% e 3,75%. As decisões americanas influenciam o fluxo de capitais e o câmbio, com reflexos sobre o Brasil.
Por isso, muitos investidores acompanham os dois encontros em conjunto. O comportamento do dólar e das taxas internacionais pode reforçar ou limitar o espaço para novos cortes por aqui, tornando o cenário externo parte essencial da equação.
No fim, a decisão desta semana deve confirmar a direção já esperada, mas o tom do Banco Central definirá as apostas para os próximos meses. Para quem tem dívidas, investimentos ou planos de consumo, acompanhar a Selic segue sendo uma forma prática de entender para onde caminha a economia brasileira.

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