O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14% ao ano na quarta queda seguida, citando a atividade mais fraca e a inflação em desaceleração. Ainda assim, os preços seguem acima do teto da meta.
O Banco Central deu mais um passo na flexibilização da política monetária ao reduzir a taxa básica de juros. A Selic caiu para 14% ao ano, na quarta redução consecutiva, em um movimento que confirma a mudança de rumo iniciada meses atrás e que o mercado já esperava com atenção.
Apesar do alívio nos juros, o cenário ainda inspira cautela. A inflação segue rodando acima do teto da meta, o que mantém o Banco Central em uma posição delicada, tentando equilibrar o estímulo à economia com o compromisso de trazer os preços de volta ao alvo definido.
A quarta redução seguida
A decisão foi anunciada no dia 5 de agosto de 2026, quando o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa a 14% ao ano. A escolha foi unânime entre os sete integrantes do comitê, o que reforça o alinhamento em torno do rumo atual.
Com esse movimento, o Banco Central completou a quarta redução seguida de mesma magnitude. No total, os juros já recuaram um ponto percentual desde o pico de 15% ao ano, marcando o início de um ciclo de afrouxamento gradual e cuidadoso da política monetária no país.
A inflação ainda incomoda

O grande desafio continua sendo a inflação. A meta atual é de 3%, com uma banda de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, o que coloca o teto em 4,5%. O problema é que a inflação cheia ainda se mantém acima desse limite, apesar dos sinais recentes de desaceleração.
As medidas de inflação subjacente, que ajudam a enxergar a tendência de fundo dos preços, só recentemente recuaram para baixo do teto. Enquanto isso, a pesquisa Focus, que reúne as projeções do mercado, aponta para uma inflação em torno de 5% ao final de 2026.
Por que o Copom decidiu cortar
Na justificativa da decisão, o comitê apontou para uma moderação gradual da atividade econômica e para medidas de inflação em desaceleração. Ao mesmo tempo, fez questão de reconhecer que as pressões sobre os preços ainda permanecem acima da meta perseguida pela autoridade monetária.
Esse equilíbrio delicado explica a cautela do Banco Central. Cortar juros ajuda a dar fôlego à economia, mas fazê-lo rápido demais pode reacender a inflação. Por isso, a instituição tem optado por reduções pequenas e espaçadas, avaliando os dados a cada nova reunião.
Juros reais entre os mais altos do mundo
Mesmo com os cortes recentes, o Brasil segue no grupo de países com os juros reais mais elevados do planeta. Com as expectativas de inflação girando perto de 5%, o chamado juro real, já descontada a inflação esperada, fica em torno de 9% ao ano, um patamar bastante alto.
Juros reais tão elevados têm efeitos importantes sobre a economia. Eles encarecem o crédito, tendem a segurar o consumo e o investimento e atraem capital para a renda fixa, mas também representam um freio poderoso contra a escalada dos preços no dia a dia das famílias.
O mercado reagiu bem
Nos mercados, o clima tem sido positivo. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, chegou a 185.205 pontos no dia 2 de setembro, o maior nível em quase quatro meses, ajudado também por fatores políticos que reduziram o temor de mudanças bruscas de rumo.
O real também mostrou força diante do dólar. A moeda americana passou a ser negociada a cerca de 5,0912 reais, e, no acumulado dos últimos doze meses, o real chegou a se valorizar em torno de 6,48%, um alívio importante para o controle da inflação importada.
O que esperar de setembro
A grande dúvida agora recai sobre a reunião de setembro, que está genuinamente em aberto. O mercado divide as apostas entre mais um corte de 0,25 ponto e uma pausa, e a decisão deve depender dos próximos dados de inflação e do comportamento do câmbio no período.
A pesquisa Focus projeta uma Selic de 13,75% ao final do ano, o que sugere espaço para apenas mais um corte de 0,25 ponto antes de dezembro. Como o comitê não deu orientação sobre os próximos passos, cada novo indicador ganha peso extra na estratégia do Banco Central.
Texto muito útil sobre Selic.
Selic: explicado com clareza.

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