Grande, amarela e riscada de negro, com duas caudas nas asas, a borboleta cauda de andorinha é uma das mais belas de Portugal. Por trás da sua elegância esconde-se uma lagarta que se defende com um cheiro forte e um apetite especial pelo funcho. Conheça a história desta rainha dos campos e saiba com
Numa tarde de verão ou de início de outono, quando percorremos um campo florido ou uma encosta soalheira do interior de Portugal, por vezes cruza o nosso olhar uma visão inesquecível. Uma borboleta grande, de asas amarelas riscadas de negro e com duas pequenas caudas, plana com elegância de flor em flor. É a borboleta cauda de andorinha, uma das mais belas que habitam o nosso país.
Uma beleza inconfundível
Com uma envergadura que pode variar entre os sessenta e cinco e os oitenta e seis milímetros, esta borboleta é praticamente impossível de confundir. As suas asas são de um amarelo vivo, percorridas por nervuras negras bem marcadas, e nas asas posteriores destacam-se manchas azuladas e um ponto avermelhado. Não admira que seja considerada a única espécie do seu grupo presente na maior parte da Europa.
O nome pelo qual a conhecemos vem de um pormenor muito particular. Nas asas de trás, esta borboleta possui um par de finas prolongações que lembram a cauda de uma andorinha em pleno voo. Estas caudas não servem apenas de enfeite, pois acredita-se que ajudam a desviar os ataques dos predadores para longe da cabeça, aumentando as hipóteses de o inseto escapar apenas com um pequeno rasgão nas asas.
A lagarta que se defende com um cheiro
Antes de se tornar nesta joia alada, porém, a borboleta cauda de andorinha percorre um longo caminho. Da postura nasce uma lagarta que, no início, é sobretudo escura, com uma faixa branca a atravessá-la. À medida que cresce, transforma-se por completo, ganhando um belíssimo verde vivo, atravessado por faixas negras que aparecem salpicadas de pequenos pontos alaranjados.
O que esta lagarta esconde é, no entanto, ainda mais surpreendente. Quando se sente ameaçada, projeta subitamente para fora, logo atrás da cabeça, um estranho órgão alaranjado em forma de forquilha, chamado osmétrio. Este órgão liberta um cheiro forte e desagradável, capaz de afastar aves e outros predadores curiosos, funcionando como uma arma química verdadeiramente eficaz para uma criatura tão pequena.
Do ovo à borboleta
O ciclo de vida desta espécie é um pequeno prodígio da natureza. Tudo começa com um minúsculo ovo, colocado com cuidado pela fêmea sobre a planta que servirá de alimento à futura lagarta. Depois de crescer e de comer quase sem descanso, a lagarta prepara-se para a grande transformação, prendendo-se a um caule e envolvendo-se numa crisálida discreta e muito bem camuflada.
Dentro dessa crisálida opera-se então uma verdadeira metamorfose, ao fim da qual emerge a borboleta adulta, de asas ainda húmidas e amarrotadas. Em poucas horas, as asas secam e endurecem, e o inseto fica pronto para voar. Nas regiões mais quentes podem suceder-se várias gerações ao longo do ano, sendo o inverno normalmente passado no abrigo seguro da crisálida.
Amante do funcho e da cenoura
Se há algo que caracteriza as lagartas desta borboleta é a sua dieta muito particular. Elas alimentam-se quase exclusivamente de plantas da família das apiáceas, o mesmo grupo a que pertencem o funcho, a cenoura selvagem, a salsa e a arruda. Por isso, não é raro que um jardineiro atento as descubra a passear tranquilamente pelas folhas do seu funcho ou pelos canteiros da sua horta.
Já os adultos são bem menos exigentes à mesa. Voam de flor em flor à procura de néctar, visitando uma grande variedade de plantas e ajudando, de passagem, a transportar o pólen entre elas. Podemos encontrá-los em prados floridos, em encostas ensolaradas e também em jardins, sempre que estes lhes ofereçam flores e um pouco de espaço mais selvagem e tranquilo.
Nos campos e serras de Portugal

Em Portugal, a borboleta cauda de andorinha é uma presença relativamente familiar, sobretudo nas zonas do interior. Podemos observá-la em prados, em terrenos incultos e em encostas cobertas de flores silvestres, do litoral até às serras mais altas. O seu voo forte e planado, muito diferente do esvoaçar hesitante de outras borboletas, torna-a fácil de reconhecer mesmo a alguma distância.
Apesar de ainda ser uma espécie bastante difundida, também ela sente os efeitos das mudanças na paisagem. A perda de prados floridos, o uso de pesticidas e a destruição de terrenos naturais reduzem os locais onde as suas lagartas encontram alimento. Preservar campos com flores silvestres e cantos menos arranjados é, por isso, uma forma simples de a ajudar a continuar entre nós.
Pequenas maravilhas ao nosso alcance
O mais bonito nesta história é que não precisamos de viajar até paragens distantes para admirar uma criatura tão espetacular. A borboleta cauda de andorinha vive mesmo ao nosso lado, nos campos que rodeiam as aldeias e até nos jardins das cidades. Basta abrandar o passo e olhar com atenção para descobrir esta pequena maravilha a brilhar tranquilamente ao sol.
E podemos fazer ainda mais do que simplesmente admirá-la. Quem tiver um jardim ou até uma varanda pode plantar funcho, salsa ou outras plantas de que as lagartas gostam, deixar um canto mais selvagem e evitar os pesticidas. Com estes gestos simples, é possível transformar o nosso espaço num pequeno refúgio onde esta borboleta pode encontrar casa e alimento.
Uma rainha que podemos convidar ao jardim
Assim, da próxima vez que virmos uma grande borboleta amarela de caudas a planar sobre as flores, vale bem a pena parar um instante e apreciar a cena. Estaremos diante de uma verdadeira rainha dos campos portugueses, um inseto elegante e resistente que, com um pouco de ajuda da nossa parte, poderá continuar a encantar por muitas gerações os nossos prados, as nossas serras e os nossos jardins.

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