Numa moita de alecrim ou de alfazema, algo brilha ao sol como uma minúscula joia de riscas metálicas verdes e douradas. É o escaravelho-do-alecrim, um dos insetos mais belos dos jardins de Portugal, que partilha o canteiro com outra pequena preciosidade de hábitos bem diferentes: a joaninha.
Numa moita de alecrim ou de alfazema, sob o sol de fim de verão, algo brilha por entre as folhas como uma minúscula joia. Tem o corpo coberto de riscas metálicas verdes, douradas e arroxeadas, que cintilam a cada movimento. Não se trata de nenhum ornamento, mas de um dos insetos mais belos que habitam os jardins de Portugal: o escaravelho-do-alecrim.
Uma joia sobre as ervas aromáticas
O escaravelho-do-alecrim é um pequeno besouro da família dos crisomelídeos, medindo apenas cinco a oito milímetros de comprimento. Apesar do seu nome científico, americana, que engana muita gente, esta espécie é na verdade nativa do sul da Europa, do norte de África e do Médio Oriente, e sente-se perfeitamente em casa no clima mediterrânico português.
O que mais nos prende nele é sem dúvida a sua couraça reluzente. As longas riscas metálicas que percorrem as suas asas endurecidas parecem feitas de metal polido, e mudam de tom conforme a luz. É por isso que, quando o encontramos numa folha, temos muitas vezes a sensação de estar a olhar para uma verdadeira pedra preciosa em miniatura, viva e a caminhar.
Amante do alecrim, da alfazema e do tomilho
Como o próprio nome sugere, este escaravelho tem predileção pelas ervas aromáticas. Vive e alimenta-se sobretudo do alecrim, da alfazema, do tomilho e da salva, roendo as suas folhas tanto na fase adulta como enquanto larva. As fêmeas põem os ovos no final do verão, e as larvas continuam a desenvolver-se ao longo dos meses de inverno.
Precisamente porque aprecia estas plantas tão estimadas, os jardineiros costumam olhá-lo com alguma desconfiança e considerá-lo uma praga. Na maioria dos casos, porém, os danos que causa são leves, e para as pessoas é totalmente inofensivo. No fundo, é um preço bem pequeno a pagar pela beleza de ter uma joia viva a passear pelo canteiro.
A joaninha, a outra pequena preciosidade

O escaravelho-do-alecrim não é o único besouro encantador do jardim. Ali bem perto vive também a joaninha, a pequena senhora vermelha de pintas pretas que todos conhecem e que muitos associam à boa sorte. Ao contrário da sua vizinha reluzente, porém, a joaninha não come folhas, mas é uma temível e voraz caçadora.
Assim, o mesmo jardim pode abrigar dois besouros igualmente belos, mas de hábitos opostos. Enquanto o escaravelho-do-alecrim mordisca discretamente as ervas aromáticas, a joaninha percorre as plantas à caça de pulgões, devorando às centenas estes minúsculos insetos que sugam a seiva. Uma rói, a outra protege, e ambas embelezam o mesmo recanto verde.
Da mesma grande família
Por muito diferentes que pareçam, tanto o escaravelho-do-alecrim como a joaninha pertencem à mesma imensa ordem: a dos coleópteros, ou seja, os besouros. Trata-se do grupo de animais mais rico e variado de todo o planeta. A sua marca comum são as asas dianteiras endurecidas, que formam uma couraça protetora sobre as delicadas asas de voo escondidas por baixo.
Foi justamente este desenho engenhoso, aliado a centenas de milhões de anos de evolução, que permitiu aos besouros conquistar quase todos os cantos da Terra. Das florestas húmidas aos jardins das cidades, encontramos coleópteros de todas as cores e feitios, e os pequenos habitantes coloridos das nossas ervas aromáticas são apenas dois exemplos deste sucesso extraordinário.
Pequenos habitantes de um jardim vivo
Estes besouros fazem parte de uma teia de vida muito mais vasta do que imaginamos. Mesmo um inseto tido por praga, como o escaravelho-do-alecrim, serve de alimento a aves e a outros pequenos predadores, e tem o seu papel no equilíbrio do jardim. Um recanto verde que tolera estas criaturas é quase sempre um jardim mais vivo, mais rico e mais saudável.
Vale a pena olhar de perto
Para descobrir estas pequenas maravilhas basta um pouco de atenção. Num dia soalheiro, observe de perto o seu alecrim, a sua alfazema e o seu tomilho, e talvez encontre uma joia metálica a caminhar por entre as folhas. E se, por entre as mesmas plantas, avistar uma joaninha em patrulha, saiba que tem ali uma aliada preciosa contra os pulgões.
Em vez de correr logo para os inseticidas, vale a pena aprender a conviver com estes pequenos vizinhos. Se o escaravelho-do-alecrim exagerar, basta muitas vezes retirá-lo à mão, deixando em paz a joaninha e os restantes insetos úteis que mantêm o jardim em equilíbrio de forma inteiramente natural.
No fim de contas, estes dois besouros lembram-nos que a beleza e o interesse da natureza se escondem muitas vezes nos pormenores mais pequenos. Basta pararmos um instante junto a um simples ramo de alecrim para descobrir, à nossa espera, joias vivas que na correria do dia a dia quase nunca reparamos que existem.

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