Todos os anos, quando os dias encurtam, as florestas de Portugal vestem-se de dourado, laranja e vermelho. Por trás desse espetáculo esconde-se uma história de química, luz e sobrevivência. Descubra por que razão as folhas mudam de cor e acabam por cair.
Todos os anos, quando os dias encurtam e o ar fica mais fresco, as florestas de Portugal vestem-se de dourado, laranja e vermelho antes de deixarem cair as folhas. É um dos espetáculos mais bonitos da natureza, mas por trás dele esconde-se uma fascinante história de química, luz e sobrevivência que vale muito a pena descobrir.
O verde que vem da luz do sol
Durante a primavera e o verão, quase todas as folhas são verdes, e essa cor deve-se a um pigmento chamado clorofila. É ela que dá às plantas a sua tonalidade característica e que lhes permite captar a energia da luz solar para produzirem o seu próprio alimento ao longo dos dias.
Esse processo, a que chamamos fotossíntese, transforma a luz do sol, a água e o dióxido de carbono do ar em açúcares que alimentam toda a árvore. Enquanto há muita luz e calor, a folha produz clorofila sem parar, mantendo aquele verde intenso que associamos aos meses mais quentes do ano.
As cores que já lá estavam escondidas
O que poucas pessoas sabem é que as folhas não são apenas verdes por dentro. Junto à clorofila existem outros pigmentos, os carotenoides, responsáveis pelos tons amarelos e alaranjados, os mesmos que dão cor às cenouras e a muitas das flores que vemos pelos campos.
Durante o verão, esses tons ficam completamente escondidos, porque a enorme quantidade de verde da clorofila os encobre quase por completo. Eles estiveram ali o tempo todo, à espera do momento certo para finalmente se revelarem aos nossos olhos quando o outono chega e o verde recua.
O vermelho que a árvore fabrica de propósito

Se os amarelos e os laranjas já estavam presentes, o vermelho intenso de algumas folhas é uma história bem diferente. Esse tom deve-se a uns pigmentos chamados antocianinas, que muitas árvores só começam a fabricar precisamente durante os dias mais frescos do outono.
Os cientistas acreditam que estas antocianinas funcionam como uma espécie de protetor solar natural, ajudando a folha a resistir à luz forte enquanto a árvore recupera os últimos nutrientes. São elas que pintam de escarlate e de púrpura muitos bosques quando o frio começa finalmente a apertar.
O gatilho: dias curtos e noites frias
Mas o que faz com que tudo isto aconteça mais ou menos ao mesmo tempo? O grande sinal é a diminuição das horas de luz. À medida que os dias encurtam e as noites arrefecem, a árvore percebe que o inverno se aproxima e começa a preparar-se para os meses difíceis.
Em resposta, deixa de produzir clorofila e o verde que existia vai-se desfazendo pouco a pouco. Sem esse pigmento a dominar tudo, os amarelos e os laranjas surgem por fim, enquanto algumas espécies acrescentam ainda os seus vermelhos recém-fabricados à paisagem das florestas.
Porque as árvores deixam cair as folhas
A mudança de cor é apenas o primeiro passo de um plano bem maior de sobrevivência. Manter as folhas durante o inverno seria arriscado, porque elas perdem muita água e podem ficar danificadas pelo gelo, num período em que a árvore tem pouca luz para as conseguir sustentar.
Por isso, na base de cada folha forma-se uma camada especial de células que a vai separando lentamente do ramo, até que ela acaba por cair. Antes disso, a árvore recolhe boa parte dos nutrientes valiosos das folhas, guardando-os para recomeçar com toda a força na primavera seguinte.
O outono nas florestas de Portugal
Em Portugal, este espetáculo vê-se sobretudo nas árvores de folha caduca, como os carvalhos, os castanheiros, as faias e os plátanos, que enchem os bosques e as ruas de tons bem quentes durante os meses mais avançados do outono.
Já os sobreiros e as azinheiras, tão típicos do nosso território, mantêm-se verdes durante todo o ano, porque são de folha perene. Observar esta transformação é uma forma simples e gratuita de sentir o ritmo das estações e de nos ligarmos um pouco mais à natureza que nos rodeia.

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