No primeiro semestre de 2026, 75,6% da eletricidade em Portugal Continental teve origem em fontes renováveis. Houve quase 29 dias de consumo totalmente coberto por renováveis. Reunimos os números do solar, do eólico e dos preços da eletricidade.
Portugal continua a afirmar-se como um dos países da Europa mais avançados na transição para as energias limpas. Os dados relativos ao primeiro semestre de 2026 confirmam esta tendência, com uma parcela muito significativa da eletricidade a ter origem em fontes renováveis. Estes números são boas notícias para o ambiente e para o futuro energético do país.
Perceber de onde vem a eletricidade que consumimos ajuda a compreender o esforço de descarbonização em curso. Neste artigo reunimos os principais indicadores do desempenho renovável no primeiro semestre do ano, desde a energia solar e eólica até à evolução dos preços da eletricidade, procurando dar uma visão clara e acessível do panorama atual.
75,6% de eletricidade renovável
De acordo com os dados divulgados, 75,6% da eletricidade produzida em Portugal Continental entre janeiro e junho de 2026 teve origem em fontes renováveis. Este valor reflete o peso crescente do sol, do vento e da água na produção nacional. É um sinal claro de que a aposta na transição energética tem vindo a dar frutos concretos e visíveis.
Quase 29 dias só com renováveis

Um dos dados mais expressivos deste semestre foi o número de horas em que o consumo elétrico do país foi totalmente coberto por energias renováveis. Ao todo, registaram-se 692 horas não consecutivas, o equivalente a quase 29 dias, em que a procura foi integralmente satisfeita por fontes limpas. É uma marca que ilustra bem a maturidade do sistema renovável português.
Capacidade instalada em crescimento
O bom desempenho assenta num crescimento sustentado da capacidade instalada. Entre 2016 e maio de 2026, a potência renovável em Portugal Continental aumentou 9.115 megawatts, um crescimento de 68%. Atualmente, as fontes renováveis já representam 79,4% da capacidade elétrica total instalada no país, o que evidencia a dimensão desta transformação.
O solar em grande destaque
A energia solar tem sido o motor mais dinâmico desta expansão. Só entre dezembro de 2025 e maio de 2026, a potência renovável cresceu 578 megawatts, dos quais 372 correspondem a energia solar fotovoltaica. Destes, 201 megawatts vieram do autoconsumo e da produção distribuída, enquanto 171 megawatts resultaram de instalações centralizadas de grande escala.
Preços da eletricidade mais baixos
A forte presença de renováveis também se refletiu nos preços. No mercado ibérico, o preço médio da eletricidade situou-se nos 48,8 euros por megawatt-hora no primeiro semestre de 2026. Trata-se de uma descida de 22,9% face ao mesmo período de 2025, o que mostra como uma maior produção limpa pode contribuir para aliviar os custos energéticos.
Portugal entre os melhores da Europa
Este conjunto de resultados coloca Portugal numa posição de destaque no contexto europeu. O país surge em quarto lugar na Europa em integração de energias renováveis, apenas atrás da Noruega, da Dinamarca e da Áustria. Em junho de 2026, a produção renovável atingiu 71,0%, com a energia eólica a representar 25,9% e a solar 24,6% do total.
Metas para 2030
O caminho, porém, ainda tem etapas ambiciosas pela frente. O Plano Nacional de Energia e Clima estabelece a meta de 93% de eletricidade de origem renovável até 2030, uma das mais exigentes de toda a União Europeia. Alcançar este objetivo exigirá continuar a investir no solar, no eólico e nas infraestruturas que sustentam a rede elétrica nacional.
O que significa para o ambiente
Para além dos números, este desempenho tem um significado ambiental profundo. Cada quilowatt-hora produzido a partir do sol ou do vento substitui energia que, de outra forma, poderia vir de combustíveis fósseis. Isso traduz-se em menos emissões de gases com efeito de estufa e num contributo direto para o combate às alterações climáticas e para um ar mais limpo.
Desafios a superar
Ainda assim, a transição não está isenta de desafios. A natureza variável do sol e do vento torna essencial investir em soluções de armazenamento e em redes elétricas mais flexíveis, capazes de gerir a produção quando esta é abundante. Superar estes obstáculos será fundamental para garantir um fornecimento estável e cada vez mais verde ao longo do ano.
Um futuro mais verde
Em suma, os dados do primeiro semestre de 2026 mostram que Portugal está a percorrer um caminho sólido rumo a um sistema energético mais limpo e sustentável. Os resultados alcançados servem de incentivo para manter o ritmo e reforçar a ambição. O futuro energético do país afigura-se cada vez mais alinhado com as metas climáticas e com um planeta mais saudável.
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